Economia

Gabriel Souza destaca parcerias e investimentos com o setor privado para o desenvolvimento do RS

Souza destacou que o estado é líder brasileiro de parcerias privadas, e apontou ações realizadas ao longo do governo Leite para zerar dívidas

Souza esteve em reunião-Almoço da Câmara Brasil-Alemanha (AHK RS) nesta terça-feira
Souza esteve em reunião-Almoço da Câmara Brasil-Alemanha (AHK RS) nesta terça-feira Foto : Ricardo Giusti

A liderança do Rio Grande do Sul em privatizações no Brasil, a quitação de dívidas do Caixa Único, os investimentos em infraestrutura rodoviária, os investimentos para a enchente e o maior efetivo na segurança pública foram pontos levantados pelo vice-governador do Rio Grande do Sul, Gabriel Souza em reunião-Almoço da Câmara Brasil-Alemanha (AHK RS) nesta terça-feira, envolvendo o tema "Transformar o presente para construir o futuro: Ações do Estado para o desenvolvimento do RS".

Em relação às privatizações, Souza destacou que o Rio Grande do Sul é lider brasileiro de parcerias com o setor privado, com R$ 46 bilhões investidos em privatizações e concessões concluídas, e R$ 26 bilhões em andamento, voltados à nova carteira aqui de PPPs e concessões do Estado. “Nós temos o ganho do ingresso de recursos públicos no estado para poder fazer investimentos, mas o principal ganho, muitas vezes, não é contabilizado, que é o quanto que essas companhias privadas têm dinheiro para investir”, afirmou.

Souza destacou reformas estruturantes importantes no governo Leite, como a reforma previdenciária. Em 2024, o déficit previdenciário foi de 9,8 bilhões, sendo considerado o maior do Brasil. Souza afirmou, portanto, que, sem as três reformas da previdência, o déficit seria de quase R$ 19,7 bilhões, o dobro.

A quitação das dívidas do Sistema Integrado de Administração do Caixa (Siac), conhecido como Caixa Único, foi outro ponto destacado pelo vice-governador. Ele lembrou que havia saques de fundos, entre 2018 e 2019, que chegaram a quase R$ 10 bilhões de reais. Souza também destacou a redução de 94,6% para 65,1% no uso de depósitos judiciais de terceiros, entre 2019 e 2024. Também, que houve uma quitação de seis anos no pagamento de precatórios.

Houve um aumento da receita líquida com contas equilibradas. Em um gráfico, apontou que, em 2024, foram aplicados 10,7% da receita corrente líquida (RCL), porcentagem que começou a aumentar entre 2020 e 2021, quando foram feitos maiores investimentos, principalmente envolvendo privatizações. "O Estado está com as contas em dia, mas não tem dinheiro sobrando suficiente para fazer esse volume de investimentos. Então, tem que pegar dinheiro de privatizações", justificou.

Rodovias

Entre 2019 e 2024, foram investidos R$ 4,5 bilhões na infraestrutura rodoviária, sendo R$ 1,7 bilhões em rodovias. "O Daer tinha em torno de 150 milhões de reais de orçamento para todas as estradas gaúchas por ano. Só Tramandaí tem R$ 380 milhões de orçamento. O Daer [Departamento Autônomo de Estradas de Rodagem] tinha que fazer conserva das rodovias pavimentadas e não pavimentadas, e tinha ainda a necessidade de obras", relatou Souza. Ele ainda pontuou que em torno de 15% dos municípios do gaúcho não tinha asfalto para acesso. "De 62 municípios, hoje nós estamos com só 18 com obras não concluídas ou em andamento", relatou.

Souza destacou a diluição do valor da tarifa de pedágios e os problemas políticos decorrentes das opiniões contrárias. "Não fazer o pedagiamento é basicamente admitir que nós vamos ficar de novo sem os recursos para investimentos", pontuou. Ele defendeu que o que diminui o custo logístico são as boas estradas e a duplicação de rodovias, que viabiliza investimentos. Ainda, comentou a possibilidade de investir em lote de concessões unindo rodovias federais e estaduais, como a BR 285, entre São Borja e Santo Ângelo, e ERS 342, entre Cruz Alta e Ijuí.

Segurança pública

O aumento de efetivo na segurança pública, com 33.250 de efetivos em 2025, também foi destacado pelo vice-governador. Foi apontada uma diminuição das forças de segurança a partir do governo Sartori devido à aposentadorias, e que, com o reforço de profissionais, houve em 2024 o ano mais seguro do Rio Grande do Sul e, em 2025, a maior queda do Brasil em furtos de celular. "Agora, estamos retomando o efetivo da Brigada Militar, da Polícia Civil, do Corpo de Bombeiros Militar, do Instituto Geral de Perícias e da Susepe. Diminuímos o custo com folha e estamos retomando nas áreas essenciais o número de servidores das áreas fins, a fim de poder servir a população gaúcha”, afirmou Souza.

Para combater os cerca de 80% dos crimes, concentrados em 23 municípios no Rio Grande do Sul. e foi criado o sistema de Gestão Estatística em Segurança Pública (GESeg), com análise preditiva com inteligência artificial, em locais e horários com maior crimes e adoção de maior demanda de efetivos. Ainda, com a implantação do RS Seguro, foi apontada redução em 2024 ante 2017 de 48% de crimes violentos letais intencionais, 78% de vítimas de latrocínio, 90% de roubos de cargas e 80% roubos a comércio.

Enchente

Entre as ações da enchente que atingiu o estado, Souza destacou os projetos do Plano Rio Grande, que é o plano de reconstrução de Estado, que utiliza recursos do Fundo de Reconstrução (Funrigs), com R$ 14 bilhões até 2027 – período de duração do fundo –, e o fundo de apoio à infraestrutura para recuperação e adaptação à eventos climáticos extremos do governo federal (Fierce), com R$ 6,5 bilhões.

Os destaques dos financiamentos são voltados para logística e transporte, desassoreamento e dragagem, principalmente para reconstrução de estradas. "Não é só reconstruir a rodovia como ela era antes. Nós temos que proteger essa rodovia, fazer com que ela resista o máximo possível a futuros eventos climáticos, que é o que se chama de resiliência climática", afirmou Souza.

Em relação às empresas, foi destacado que o RS foi o estado com maior número de empresas abertas no terceiro quadrimestre de 2024, com aumento de 4,1% ante o segundo quadrimestre do ano. Foram mais de 253 mil empreendimentos abertos e 155 mil novos empreendimentos. O número é apresentado durante a efetividade da taxação imposta em exportações pelo presidente Donald Trump, que, lembrou Souza, atinge principalmente o setor de armas, tabaco, móveis, calçadista, e eletroeletrônicos, ameaçando cerca de 140 mil empregos direta e indiretamente.

Em investimento privado, foram investidos 100 bilhões em 2024, com destaque para a CMPC, fabricante gaúcha de celulose, e para a construção de um porto em Barra do Ribeiro para transporte de celulose.

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Desafios

Entre os desafios de investimentos para os próximos anos, Souza destacou as consequências com a mudança na pirâmide etária do Estado, com menos jovens e mais idosos. Em gráfico, apontou que, a cada cinco gaúchos, um tem mais de 60 anos. Para isso, pontuou a necessidade de atenção à primeira infância e educação básica. No governo, apontou o aumento de 18 para 500 o número de escolas de Ensino Médio em tempo integral.

Destacou, ainda, que o Brasil, com atual bônus demográfico, começará a diminuir. "Essas gerações vão ter que ser mais produtivas e eficientes do que foram as suas gerações anteriores, porque estarão em menor número no mercado de trabalho, e no capitalismo. Nós precisamos muito de trabalhadores no mercado de trabalho ou empreendedores”, pontuou.

Os investimentos em editais de plantas de hidrogênio verde também foram apontados pelo vice-governador, que lembrou que o Rio Grande do Sul vai ser um dos primeiros lugares do mundo com produção de hidrogênio verde industrial. “Nós temos uma matriz energética verde, somos um estado bastante sustentável e que certamente, vai gerar bastante desenvolvimento no futuro”, disse.

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