Economia

Gastos com viagens internacionais cresceram 47,1% em março

Balanço é desfavorável ao país, uma vez que os gastos de turistas estrangeiros no Brasil cresceu apenas 9,4%

As despesas líquidas com viagens internacionais somaram 1,02 bilhão de dólares no mês passado, com evolução de 47,1% sobre março do ano passado, de acordo com o Relatório do Setor Externo, divulgado nesta terça-feira pelo chefe do Departamento Econômico do Banco Central, Túlio Maciel. O balanço de gastos com viagens é desfavorável ao país, uma vez que os gastos de turistas estrangeiros no Brasil cresceu apenas 9,4%.

Embora o balanço de pagamentos tenha registrado superávit de 9,53 bilhões de dólares no mês, a conta de serviços apresentou déficit de 3,085 bilhões. Além das despesas com viagens, somam-se também os gastos com transportes, de 599 milhões de dólares (+2,7%); royalties e licenças, 242 milhões de dólares (+29,2%); aluguel de equipamentos, 1,25 bilhão de dólares (gastos estáveis); e computação e informações, 383 milhões (+6,2%). As despesas líquidas com seguros (132 milhões de dólares) foram menores e a rubrica outros serviços deixou saldo de US$ 626 milhões.

Com isso, o superávit do balanço de pagamentos no ano soma 27,649 bilhões de dólares, de acordo com o relatório do BC. Mas o balanço de transações correntes, que envolve toda a movimentação comercial e financeira, apresentou déficit de 5,676 bilhões no mês e acumula um rombo de pouco mais de 50 bilhões de dólares nos últimos 12 meses, o que equivale a 2,33% do Produto Interno Bruto (PIB), soma das riquezas produzidas no país.

Segundo Túlio Maciel, a conta financeira apresentou ingressos líquidos de 14,883 bilhões de dólares no mês, com destaque para a entrada de investimento estrangeiro direto (IED) no total de 6,791 bilhões de dólares. Os empréstimos diretos líquidos de curto prazo somaram US$ 6,3 bilhões e os de médio e longo prazos atingiram 2,2 bilhões.

As remessas líquidas de renda para o exterior foram de 4,3 bilhões de dólares em março, com crescimento de 39,9% comparado ao mesmo mês de 2010. Do total, US$ 3,4 bilhões se referem a transferências de renda sobre IED, que tiveram expansão de 70% sobre os US$ 2 bilhões de março do ano passado. Em contrapartida, as remessas relativas a investimentos em carteira somaram só 151 milhões de dólares, com queda de 78,4% na mesma base de comparação.

Enquanto isso, os investimentos brasileiros diretos no exterior registraram retorno líquido de 1,479 bilhão de dólares. Resultado de aplicações de 2,176 bilhões em participações no capital de empresas de outros países e de retornos de 3,654 bilhões de dólares de empréstimos intercompanhias concedidos ao exterior.

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