A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) realizou, nesta quata-feira, a primeira etapa do seminário internacional “Alternativas Sustentáveis do Uso do Carvão: Oportunidades do Complexo Carboquímico no Brasil – Marco Regulatório para Atração de Investimentos”. Um dos principais objetivos do encontro foi promover o carvão gaúcho e atrair investimentos para o Polo Carboquímico no Estado.
Na quinta-feira, os participantes farão visitas à área prevista para o futuro Polo Carboquímico da região do Baixo Jacuí; às instalações das minas de exploração de carvão da Copelmi Mineração, em Butiá e às áreas reabilitadas após a mineração e ao Aterro Sanitário de Minas do Leão.
No encontro, foram abordadas a política estadual e as ações desenvolvidas no RS para a implantação do Polo Carboquímico. Dentre as vantagens do Estado para a indústria carboquímica, conforme a Secretaria de Minas e Energia, além das reservas próprias de carvão, em locais bem servidos de infraestrutura logística, está a cadeia diversificada, com boa estrutura de fornecimento nos segmentos metalmecânico, de plásticos e borracha e equipamentos de óleo e gás (que, adaptados, podem servir para a gaseificação do carvão). Também pesa a existência de um mercado consumidor dependente do gás natural e mercados relacionados, como o de fertilizantes (utilizados como insumo para a cadeia agrícola gaúcha, assim como do restante do Brasil e dos países do Mercosul).
Conforme o governador José Ivo Sartori, as possibilidades que o carvão oferece no Rio Grande do Sul são muitas. “A instituição do Polo Carboquímico é uma manifestação que supera a anterior, que era o Plano Estadual de Energia, e isso significa a possibilidade de atrair investidores, empresários nacionais e também do exterior”, ressaltou. Segundo ele, isto representa uma caminhada importante para “quebrar o tabu de que não se poderia mexer na indústria do carvão”. A expectativa do Executivo estadual é de que o Polo Carboquímico gere emprego, renda e desenvolvimento.
Para o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, o projeto é estratégico para recuperar a economia gaúcha. “O retorno de ICMS na produção de gás natural de síntese (GNS), amônia e ureia, que importamos 100% do que utilizamos, será significativo para os cofres públicos. Sem falar no impacto socioeconômico, com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos”, ressaltou.
Segundo ele, o Polo Carboquímico trará, ao Estado, desenvolvimento econômico, social e sustentável pois, através do carvão mineral, há ainda a possibilidade de geração de energia de forma limpa, eficiente e rentável. “O investimento ultrapassa os R$ 15 bilhões na totalidade do Polo. Há um potencial muito favorável e a nossa expectativa é muito grande”, enfatizou.
Além disso, de acordo com Júnior, a rede de pesquisa gaúcha é responsável por um “excelente ambiente” de conhecimento no segmento petroquímico, propício também para pesquisas relacionadas à carboquímica. Da mesma forma, a mão de obra ligada à petroquímica disponível no Estado pode ser preparada para atuação no novo setor. Programas de atração de investimentos (InvestRS) e de qualificação de fornecedores (Desenvolve RS) e um sistema de financiamento, com três bancos públicos atuantes em projetos de longo prazo e uma política de incentivos fiscais adequada a cada empreendimento, completam o esperançoso cenário do Estado para o desenvolvimento do setor.
O presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, destacou que o RS detém 90% das reservas nacionais de carvão mineral, o que abre muitas oportunidades para a indústria do segmento, viabilizando projetos de investimento unindo empresas locais, nacionais e estrangeiras. Para Petry, o desafio atual é o de encontrar os meios de unir políticas públicas com a iniciativa privada. “Os empreendimentos que irão compor o Complexo Industrial Carboquímico trarão benefícios diversos para regiões pouco industrializadas do Estado, a partir do aproveitamento das jazidas de carvão localizadas na região do Baixo Jacuí e Fronteira”, disse. Conforme ele, é preciso definir estratégias que estimulem a competitividade das indústrias, ampliando a matriz energética disponível.
O evento internacional é organizado pela Fiergs e conta com o apoio da Secretaria de Minas e Energia, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, do Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão, Banrisul, BRDE, Associação Brasileira do Carvão Mineral e Sulgás.
Governo aposta em polo carboquímico para recuperar economia do RS
Seminário internacional debateu oportunidades do mercado para atrair investimentos