Economia

Governo aposta em polo carboquímico para recuperar economia do RS

Seminário internacional debateu oportunidades do mercado para atrair investimentos

Seminário na Fiergs debateu alternativas sustentáveis do uso do carvão
Seminário na Fiergs debateu alternativas sustentáveis do uso do carvão Foto : Guilherme Testa
A Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (Fiergs) realizou, nesta quata-feira, a primeira etapa do seminário internacional “Alternativas Sustentáveis do Uso do Carvão: Oportunidades do Complexo Carboquímico no Brasil – Marco Regulatório para Atração de Investimentos”. Um dos principais objetivos do encontro foi promover o carvão gaúcho e atrair investimentos para o Polo Carboquímico no Estado.

Na quinta-feira, os participantes farão visitas à área prevista para o futuro Polo Carboquímico da região do Baixo Jacuí; às instalações das minas de exploração de carvão da Copelmi Mineração, em Butiá e às áreas reabilitadas após a mineração e ao Aterro Sanitário de Minas do Leão.

No encontro, foram abordadas a política estadual e as ações desenvolvidas no RS para a implantação do Polo Carboquímico. Dentre as vantagens do Estado para a indústria carboquímica, conforme a Secretaria de Minas e Energia, além das reservas próprias de carvão, em locais bem servidos de infraestrutura logística, está a cadeia diversificada, com boa estrutura de fornecimento nos segmentos metalmecânico, de plásticos e borracha e equipamentos de óleo e gás (que, adaptados, podem servir para a gaseificação do carvão). Também pesa a existência de um mercado consumidor dependente do gás natural e mercados relacionados, como o de fertilizantes (utilizados como insumo para a cadeia agrícola gaúcha, assim como do restante do Brasil e dos países do Mercosul).

Conforme o governador José Ivo Sartori, as possibilidades que o carvão oferece no Rio Grande do Sul são muitas. “A instituição do Polo Carboquímico é uma manifestação que supera a anterior, que era o Plano Estadual de Energia, e isso significa a possibilidade de atrair investidores, empresários nacionais e também do exterior”, ressaltou. Segundo ele, isto representa uma caminhada importante para “quebrar o tabu de que não se poderia mexer na indústria do carvão”. A expectativa do Executivo estadual é de que o Polo Carboquímico gere emprego, renda e desenvolvimento.

Para o secretário de Minas e Energia, Artur Lemos Júnior, o projeto é estratégico para recuperar a economia gaúcha. “O retorno de ICMS na produção de gás natural de síntese (GNS), amônia e ureia, que importamos 100% do que utilizamos, será significativo para os cofres públicos. Sem falar no impacto socioeconômico, com a geração de milhares de empregos diretos e indiretos”, ressaltou.

Segundo ele, o Polo Carboquímico trará, ao Estado, desenvolvimento econômico, social e sustentável pois, através do carvão mineral, há ainda a possibilidade de geração de energia de forma limpa, eficiente e rentável. “O investimento ultrapassa os R$ 15 bilhões na totalidade do Polo. Há um potencial muito favorável e a nossa expectativa é muito grande”, enfatizou.

Além disso, de acordo com Júnior, a rede de pesquisa gaúcha é responsável por um “excelente ambiente” de conhecimento no segmento petroquímico, propício também para pesquisas relacionadas à carboquímica. Da mesma forma, a mão de obra ligada à petroquímica disponível no Estado pode ser preparada para atuação no novo setor. Programas de atração de investimentos (InvestRS) e de qualificação de fornecedores (Desenvolve RS) e um sistema de financiamento, com três bancos públicos atuantes em projetos de longo prazo e uma política de incentivos fiscais adequada a cada empreendimento, completam o esperançoso cenário do Estado para o desenvolvimento do setor.

O presidente da Fiergs, Gilberto Porcello Petry, destacou que o RS detém 90% das reservas nacionais de carvão mineral, o que abre muitas oportunidades para a indústria do segmento, viabilizando projetos de investimento unindo empresas locais, nacionais e estrangeiras. Para Petry, o desafio atual é o de encontrar os meios de unir políticas públicas com a iniciativa privada. “Os empreendimentos que irão compor o Complexo Industrial Carboquímico trarão benefícios diversos para regiões pouco industrializadas do Estado, a partir do aproveitamento das jazidas de carvão localizadas na região do Baixo Jacuí e Fronteira”, disse. Conforme ele, é preciso definir estratégias que estimulem a competitividade das indústrias, ampliando a matriz energética disponível.

O evento internacional é organizado pela Fiergs e conta com o apoio da Secretaria de Minas e Energia, Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Ciência e Tecnologia, do Sindicato Nacional da Indústria de Extração de Carvão, Banrisul, BRDE, Associação Brasileira do Carvão Mineral e Sulgás.

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