Historicamente, os argentinos compram dólares para guardar, como forma de preservar suas poupanças. Desde 2011, o governo impôs uma bateria de medidas de controle do mercado de câmbio e, a partir de 2012, proibiu a aquisição de divisas para guardar. Longe de mudar a cultura local, a medida levou a população a recorrer ao mercado paralelo, apesar de pagar muito mais caro. A UIF argumentou que as duas resoluções adotadas na semana passada sobre a compra e venda de veículos têm o objetivo de melhorar o sistema contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.
Pelas normas, no perfil do cliente deverá constar a origem do dinheiro e um certificado assinado por um contador público inscrito no conselho da categoria, além dos documentos bancários pertinentes. O comprador também terá que explicar quantos carros importados já comprou e com qual frequência os trocou. As novas medidas somam-se à bateria de impedimentos para operar com dólares no país e foram adotadas em um momento de expectativa do mercado sobre o endurecimento das regras no mercado de câmbio. Os analistas estimavam que o setor de turismo seria o primeiro alvo do governo após as eleições de 27 de outubro.
Na semana passada, o Banco Central já havia limitado o crédito em pesos para as grandes exportadoras, obrigando-as a buscar financiamento no exterior, em dólares, para estimular a entrada de divisas ao mercado local.