Economia

Governo argentino aperta cerco à compra de automóveis importados

Medida pretende evitar a venda de dólares não declarados no mercado informal

O governo argentino apertou o cerco à compra de automóveis importados no país. A partir desta segunda, as concessionárias deverão preencher um perfil do comprador de carros importados acima de 350 mil pesos (US$ 58 mil, pelo câmbio oficial, e US$ 35 mil, pelo paralelo), contendo informações e documentos sobre a situação econômica, financeira, tributária e patrimonial. A medida da Unidade de Informação Financeira (UIF) pretende evitar a venda de dólares não declarados no mercado informal para que sejam usados, posteriormente, na compra de importados.

Historicamente, os argentinos compram dólares para guardar, como forma de preservar suas poupanças. Desde 2011, o governo impôs uma bateria de medidas de controle do mercado de câmbio e, a partir de 2012, proibiu a aquisição de divisas para guardar. Longe de mudar a cultura local, a medida levou a população a recorrer ao mercado paralelo, apesar de pagar muito mais caro. A UIF argumentou que as duas resoluções adotadas na semana passada sobre a compra e venda de veículos têm o objetivo de melhorar o sistema contra lavagem de dinheiro e financiamento do terrorismo.

Pelas normas, no perfil do cliente deverá constar a origem do dinheiro e um certificado assinado por um contador público inscrito no conselho da categoria, além dos documentos bancários pertinentes. O comprador também terá que explicar quantos carros importados já comprou e com qual frequência os trocou. As novas medidas somam-se à bateria de impedimentos para operar com dólares no país e foram adotadas em um momento de expectativa do mercado sobre o endurecimento das regras no mercado de câmbio. Os analistas estimavam que o setor de turismo seria o primeiro alvo do governo após as eleições de 27 de outubro.

Na semana passada, o Banco Central já havia limitado o crédito em pesos para as grandes exportadoras, obrigando-as a buscar financiamento no exterior, em dólares, para estimular a entrada de divisas ao mercado local.

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