Ontem à noite, uma reunião de crise foi comandada pelo primeiro-ministro com seus assessores diretos, entre os quais o ministro de Finanças, Evangelos Venizelos. À margem da reunião, o porta-voz do governo, Angelos Tolkas, informou que Papandreou confirmou a seus subordinados que o referendo será realizado, mesmo contra a vontade dos líderes da União Europeia. Em entrevista à rede de TV pública NET, Tolkas afirmou que o premiê está questionando os "interesses bancários" na Grécia e no exterior, que estariam manobrando contra o seu governo.
Antes do referendo, um voto de confiança será encaminhado ao Parlamento do país na sexta-feira, quando a sorte do governo estará lançada. Isso porque o Movimento Socialista Pan-helênico (Pasok), maior partido da base de sustentação, perdeu ontem o apoio de mais um deputado, Milena Apostolaki, ex-secretária de Estado do Desenvolvimento, e agora reúne 152 votos, de um total de 300 deputados.
A situação é ainda mais delicada porque ao longo do dia de ontem outros membros do Pasok manifestaram a intenção de abandonar o governo. Vasso Papandreou, deputado do partido - sem relação de parentesco com o premiê -, pediu ontem a formação de um gabinete de união nacional capaz de "garantir o plano europeu" e de "organizar eleições antecipadas".
Não bastasse a crise política, os dois maiores sindicatos do país convocaram para a próxima semana uma nova rodada de greves gerais, seguidas de protestos na Praça Syntagma, centro de Atenas.
Pressionado nos planos interno e externo, o premiê anunciou uma decisão enigmática na noite de ontem: a substituição do comando do Estado-Maior das Forças Armadas. Segundo o governo, a modificação nos comandos do Ministério da Defesa, no Exército, na Marinha e na Aeronáutica já estavam previstos e não têm relações com a crise econômica e política.