Economia

Governo do Estado e entidades de empresas e indústrias do RS discutem alternativas para reduzir impactos com tarifaço dos EUA

Entre os principais pontos levantados em reunião, estão a busca de revisão das tarifas e postergação da entrada em vigor por, pelo menos, 90 dias, além de diálogo para resolver o problema

Eduardo Leite atende imprensa no Palácio Piratini após reunião com entidades empresariais
Eduardo Leite atende imprensa no Palácio Piratini após reunião com entidades empresariais Foto : Camila Cunha

Uma reunião a portas fechadas nesta sexta-feira entre dirigentes de entidades do meio empresarial e da indústria gaúcha, com o Governador Eduardo Leite e o presidente da Fiergs, Claudio Bier, no Palácio Piratini, avaliou os desdobramentos das tarifas anunciadas pelo governo dos EUA sobre as exportações brasileiras e discutiu alternativas para mitigar danos à economia do Rio Grande do Sul. Entre os principais pontos levantados, estão a busca de revisão das tarifas e postergação da entrada em vigor por, pelo menos, 90 dias, para permitir que cargas que já estavam sendo encaminhadas e compras que já feitas possam acessar os mercados americanos, reduzindo danos e impactos no curto prazo para ambos os lados brasileiros e americanos.

"Entendemos que deve-se dirigir esforços no sentido de prorrogar a implementação dessas tarifas, porque elas já estão produzindo impactos imediatamente, e as negociações prometem se estender ainda por muitos dias ou semanas, prolongando a dor desse impacto que já é sentido antes mesmo da entrada em vigor", afirma o governador. Ele lembrou que, conforme estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o Rio Grande do Sul é o segundo estado brasileiro que mais terá prejuízos com as tarifas.

As questões levantadas na reunião serão encaminhadas por meio de correspondência ao vice-presidente da república, Geraldo Alckmin, responsável pelo Ministério da Indústria e Comércio. O governador reforçou que a reunião não foi de negociação, mas sim para trazer colaboração com informações entre os setores econômicos mais impactados no Rio Grande do Sul – entre eles, o de armas e munições, de produção de madeira e móveis, e do setor de pescados e de calçados.

Leite salienta que, embora a tarifa entre em vigor apenas no dia 1º de agosto, ela já produz impactos com cancelamentos de compra, suspensão de contratos e pela própria expectativa da entrada. "Mesmo sabendo que sejam impactos menores na dimensão das economias dos dois países, para muitas empresas será fatal essa imposição dessas tarifas", afirma

"Vai ser um baque muito grande na economia gaúcha", disse o presidente da Fiergs, Claudio Bier. Ele ressaltou que a China é o maior comprador do Brasil, mas os Estados Unidos são o maior comprador de produtos industrializados e agregados. “A indústria do Rio Grande Sul vai sofrer muito, porque depois de São Paulo, a segunda indústria que mais vende para os Estados Unidos é a gaúcha”, diz.

Ele defende que deve-se chegar a um diálogo para resolver o problema. “Nós estamos falando com os nossos os nossos compradores lá fora, porque não se troca de fornecedor de uma hora para outra. A indústria é uma coisa que leva muito tempo. Primeiro conseguir um cliente e depois conseguir o fornecedor, que vai te fornecer, diz. “O impacto vai ser gigantesco, e espero que nós, com diálogo e com muito boa vontade parte a parte, a gente venha a superar esse problema”, completa.

O governador ressalta que é necessário haver serenidade na condução por parte do governo brasileiro. "Se a motivação das tarifas tem um componente político, não entendemos que seja razoável que a resposta também tenha uma visão política por parte do governo brasileiro sobre o debate político interno. Isso me preocupa particularmente. É um campo político que, de alguma forma, interferiu para que essas tarifas acontecessem e, de outro lado, outro campo político, que quer aproveitar esse momento para eleitoralmente também ser explorado, enquanto o país fica em segundo plano", relata.

Leite exige manter as discussões em nível institucional, respeitando as relações diplomáticas entre os dois países e focando no impacto que trará na vida de ambos os países, e exige uma revisão o mais rápido possível com hipótese das tarifas não serem revistas, e com ferramentas de apoio aos setores que serão mais impactados.

Ação da PF contra Bolsonaro ainda é imprevisível para cenário de negociações, afirma Leite

Para Leite, a maneira como a movimentação da Polícia Federal ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode prejudicar essas negociações ainda é imprevisível, mas se diz "entristecido" ao ver, do ponto de vista institucional, um ex-presidente da República ter que receber uma tornozeleira eletrônica. "Eu não conheço os detalhes do processo que tenham levado a essa decisão judicial. Respeito muito a estrutura institucional que nós temos, ao judiciário, nas suas decisões. Particularmente, como brasileiro, me entristeço tanto quanto me entristeço quando um ex-presidente teve que ser preso", diz. Ele defende que o país precisa "superar" a polarização.

Em relação ao posicionamento do presidente Lula, feito na noite desta quinta-feira, Leite analisa que pode vir no sentido firme de defesa do interesse nacional, mas com ressalvas. "Acho que tem que ter muito cuidado eventualmente. Algumas falas do presidente podem não estar tomando o cuidado devido para que se conduza a resolução do impasse e não um aprofundamento dele". Para Leite, o interesse deve ser o do Brasil e não de algum campo político especialmente. “As relações diplomáticas que nós temos historicamente com os Estados Unidos deve ser preservada e trabalhada para que ela seja fortalecida e não fragilizada”, defende.

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