O governo do presidente Emmanuel Macron enfrenta, nesta quarta-feira (14), duas moções de censura apresentadas pela esquerda radical (LFI) e pela extrema direita (RN). Os pedidos de destituição do gabinete do primeiro-ministro Sébastien Lecornu ocorrem em represália à iminente assinatura do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, prevista para o próximo sábado.
Apesar da oposição oficial da França, a Comissão Europeia deve selar o tratado com Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai, criando a maior zona de livre-comércio do mundo.
Resistência agrícola e manobras políticas
A oposição acusa o governo de "hipocrisia e incompetência" por não ter acionado a Justiça europeia ou ameaçado o orçamento da UE para barrar o tratado. Para os agricultores franceses, a entrada de carne, soja e mel sul-americanos representa uma ameaça desleal à produção local.
No entanto, as moções têm chances reduzidas de sucesso, já que os Socialistas e o partido conservador "Os Republicanos" decidiram não apoiar o movimento, sob o argumento de que a batalha final será decidida apenas no Parlamento Europeu.
As moções chegam em um momento de fragilidade para Lecornu, que tenta simultaneamente aprovar o orçamento de 2026 e conter protestos agrícolas. Embora o principal sindicato (FNSEA) tenha começado a retirar tratores de Paris após a promessa de uma "lei de emergência agrícola", o clima permanece tenso. Somado ao impasse comercial, a esquerda radical incluiu na moção a "humilhação diplomática" da França perante a operação militar dos EUA na Venezuela, tema que terá um debate específico na Assembleia Nacional em 19 de janeiro.
Após mais de 25 anos de negociações, o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia entrou na reta final, com o sinal verde dado pelos países europeus para a assinatura formal do tratado. O pacto envolve Brasil, Argentina, Paraguai, Uruguai e Bolívia e deve marcar uma nova fase nas relações comerciais entre os dois blocos.