Economia

Governo não trabalha com patamar para câmbio, diz secretário do ministério da Fazenda

Barbosa afirma que intervenções do governo junto ao câmbio são para atenuar volatilidades

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Nelson Henrique Barbosa Filho, afirmou nesta sexta-feira que o governo não trabalha com nenhum tipo de patamar específico para o câmbio. Ele reiterou que o Brasil hoje conta com uma política de câmbio flutuante, com acúmulo de reservas, e que as operações de intervenção do governo junto ao câmbio são para atenuar volatilidades, e não representam controle cambial. "Não temos compromisso com valores específicos para a taxa de câmbio", frisou.

Durante aula inaugural do primeiro semestre do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), ele explicou que o fato de o governo não ter meta para câmbio, não significa que a União "não se importe com a taxa de câmbio". "O que o governo tenta fazer (com as operações no câmbio) é evitar uma apreciação (cambial) adicional, quando sente que o movimento de apreciação já tinha sido excessivo", disse.

Barbosa acrescentou que o governo não tem intenção de impedir apreciações e sim de dar incentivos ao mercado para que a apreciação não se torne um movimento danoso à economia brasileira. "Se amarrar a uma taxa de câmbio específica, não é uma coisa razoável", afirmou.

Reservas internacionais permitem que a economia do País se ajuste rapidamente às mudanças

Barbosa ainda afirmou que as reservas internacionais do País permitem que a economia brasileira se ajuste muito mais rapidamente às mudanças no cenário econômico internacional, bem como de conseqüências negativas geradas por turbulências no exterior. "Temos mais reservas hoje. O Brasil está mais preparado para lidar com flutuações vindas do exterior do que no passado", afirmou.

Em sua palestra, Barbosa Filho comentou que o "carregamento" no volume de reservas tem um custo fiscal para o governo, mas também possui vantagens durante uma crise. Ele observou que, esta semana, com as notícias sobre a possibilidade de um contágio na economia européia da crise na Grécia, o dólar sofreu uma apreciação, e saiu de R$ 1,75 para R$ 1,85, o que gerou um impacto positivo nas reservas do País, que giram em torno de US$ 250 bilhões. A estratégia do governo, segundo o secretário, é de usar as reservas para atenuar o impacto das turbulências internacionais na economia brasileira.

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