Antecipada pela crise gerada pelo grupo Vulcabras/Azaleia, que desativou sua produção de calçados no RS ao fechar fábrica em Parobé, demitindo 840 trabalhadores, o governo do Estado instalou ontem Câmara Temática do setor coureiro-calçadista no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES/RS). Integrada por sindicalistas e conselheiros, a Câmara, em sua primeira reunião, propôs uma negociação com a Vulcabras/Azaleia. O objetivo é garantir o uso dos pavilhões onde funcionou a indústria para futuros empreendimentos.
No encontro, o presidente do Badesul, Marcelo Lopes, defendeu medidas mais amplas. "Estamos perdendo postos de trabalho e a questão do câmbio tem de ser tratada por afetar o setor produtivo", disse. O secretário de Desenvolvimento e Promoção do Investimento, Mauro Knijnik, criticou a insensibilidade dos controladores da Azaleia com os trabalhadores. Conforme ele, deveria ser dado prazo de, no mínimo, 30 dias antes do fechamento da fábrica. Assim, haveria tempo para recolocar os funcionários demitidos em outros empregos.
A força-tarefa do governo enviada a Parobé trabalha para acelerar o encaminhamento de seguro-desemprego, levantar cursos de capacitação para qualificar a mão de obra na região e garantir rápida absorção dos desempregados. O Sindicato dos Sapateiros de Parobé organizará ato de repúdio pela forma como a Azaleia desativou sua fábrica e tratou seus empregados.
Integram a Câmara Temática, que seria instalada dia 18 próximo, os conselheiros do CDES/RS Raul Gastão Klein, João Batista Xavier da Silva, Walter Fabro, Carlos Otávio Schneider, Valter Souza e Guiomar Vidor. Souza pediu ação do Ministério Público na concessão de incentivos. Lembrou que a Azaleia recebeu incentivos no governo Britto (1995/1998). Em 2003, o governador foi presidente da Azaleia.
Governo quer usar pavilhões da Azaleia
Câmara Temática do setor coureiro-calçadista teve ontem primeira reunião