Economia

Governo realiza ações para dar mais transparência ao Carf, diz Levy

Desde a deflagração da Operação Zelotes, na semana passada, conselho está com as sessões suspensas

Joaquim Levy elatou medidas recentes para dar mais transparência ao órgão
Joaquim Levy elatou medidas recentes para dar mais transparência ao órgão Foto : Edilson Rodrigues / Agência Senado / Divulgação / CP
O Ministério da Fazenda está tomando as ações necessárias para modernizar o Conselho de Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), disse nesta terça-feira  o ministro Joaquim Levy. Em audiência pública na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado, ele relatou medidas recentes para dar mais transparência ao órgão, que julga contestações a cobranças de tributos pela Receita Federal e é alvo de investigação da Operação Zelotes, que apura um suposto esquema de sonegação de R$ 19 bilhões.

O esquema pode ter desviado R$ 19 bilhões dos cofres públicos entre 2005 e 2015, segundo a Polícia Federal e a Procuradoria da República no Distrito Federal. O Ministério da Fazenda anunciou que vai instaurar processos administrativos de responsabilização contra empresas envolvidas. O Banco Central informou que acompanha a situação das instituições que compõem o Sistema Financeiro Nacional (SFN).

O jornal "O Estado de S. Paulo" revelou no último sábado que entre as empresas investigadas por negociar ou pagar suborno a conselheiros para reverter multas da Receita estão gigantes de vários setores, entre eles os bancos Bradesco, Santander, Safra e Bank Boston; as montadoras Ford e Mitsubishi; a BRF, do setor alimentício; além dos grupos gaúchos RBS, Gerdau e Marcopolo. As empresas negam envolvimento.

De acordo com o ministro, o Carf adotou o sistema de sorteio para definir o encaminhamento dos processos, impedindo riscos de favorecimento na escolha das câmaras que julgarão as ações. Ele também destacou que o processo de veto de contribuintes ao responsável pelo julgamento passou a ser mais rigoroso. Levy citou, ainda, o esforço do órgão para reorganizar os processos por temas, de modo a garantir a consistência às decisões.

Segundo Levy, uma das diretrizes do Ministério da Fazenda é dar mais agilidade e transparência ao Carf. “Escolhi, como um dos temas da minha administração, o fortalecimento do Carf. A estabilidade de regras e de decisões diminui a necessidade de aumentar impostos e dá sinal correto para o bom contribuinte. Se tivermos mais processos que resultem em atos vinculantes [decisões administrativas que se tornam obrigatórias para todos os contribuintes], o risco de desvio sonegação diminui drasticamente.”

Desde a deflagração da Operação Zelotes, na semana passada, o Carf está com as sessões suspensas. Segundo o ministro, isto foi necessário para pacificar o órgão. “A prova de que o aprimoramento do Carf é uma das minhas prioridades é que desloquei para lá um funcionário experiente o ex-secretário da Receita Federal, Carlos Alberto Barreto”, declarou.

Outra medida lembrada por Levy para modernizar o Carf é o registro do patrimônio dos contribuintes antes de os processos irem para a Justiça, prática comum quando o contribuinte perde o recurso na esfera administrativa. Para o ministro, se o Carf verificar com antecedência os bens do contribuinte que podem ser penhorados o processo será encaminhado para a Justiça bem instruído, consequentemente terá o julgamento acelerado.

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