Mantega admitiu que o governo anunciou a elevação de IPI para automóveis importados sem ter a convicção jurídica de que a medida não precisaria respeitar o princípio da noventena. Disse que o assunto tinha controvérsias, mas que o governo tomou essa decisão porque tinha urgência, já que os importados estavam prejudicando o emprego no Brasil.
O ministro afirmou também que o governo respeitará a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou que a medida só entre em vigor em meados de dezembro, 90 dias após o anúncio. "Isto é apenas detalhe, porque prorrogou a medida", disse. Mantega negou que o governo queira fazer reserva de mercado, mas destacou que não se pode permitir que "aventureiros" se apropriem do mercado interno brasileiro, manipulando o câmbio e oferecendo subsídios disfarçados.
Ele destacou que as montadoras coreanas e chinesas, as mais afetadas com o aumento do IPI, já estão com planos de se instalarem no Brasil. "Somos a favor de câmbio flutuante, mas tenho dito nos fóruns internacionais que enquanto tiver países manipulando o câmbio, nós vamos interferir, cobrando IOF. Nas nossas costas, não vamos permitir".