A Grécia entrou em moratória com o Fundo Monetário Internacional nesta terça-feira, depois de não pagar a dívida de 1,5 bilhão de euros (1,7 bilhão de dólares). O governo admitiu, contudo, suspender o referendo do próximo domingo sobre o pagamento da dívida com acréscimo na austeridade fiscal, em prol da retomada das negociações com a União Europeia.
"Confirmo que os 1,2 bilhão de SDR [unidade monetária dos ativos de reserva do FMI do pagamento devido pela Grécia ao FMI hoje não foi recebido. Nós informamos à Assembleia de Governadores que a Grécia agora está em atraso e só poderá receber financiamento do FMI quando for resolvido", disse o porta-voz Gerry Rice. A Grécia torna-se, assim, o primeiro país desenvolvido a dar calote no Fundo, que enfrenta a maior moratória da sua história.
Nesta terça-feira, a Grécia havia informado que não pagaria ao FMI, que participou com a União Europeia nos dois planos de salvamento, que contavam com uma dura receita de austeridade. No fim do dia, Atenas fez um pedido de última hora para estender o prazo de pagamento.
O incidente com a Grécia trata-se de um sério revés para a credibilidade do FMI, que não sofria um calote desde 2001, com o Zimbábue, e que acordou com a Grécia o maior empréstimo de sua história. Até recentemente, o FMI parecia acreditar que Atenas honoraria seus compromissos financeiros. No início de junho, a diretora-gerente do organismo dizia acreditar nas promessas do primeiro-ministro grego, Alexis Tsipras.
Os problemas do FMI com a Grécia não acabaram aí. O país europeu deve pagar um total de 5,4 bilhões de euros ao Fundo neste ano, sobre uma dívida total de 21 bilhões. O próximo pagamento, de 284 milhões de euros, está marcado para 1º de agosto.
Nesta terça-feira, as bolsas europeias, preocupadas pelo futuro imediato da Grécia, continuaram caindo, embora menos do que na véspera. Paris recuou 1,63%, Frankfurt 1,25%, Londres 1,5%, e Madri 0,78%. A agência de classificação de risco Standard and Poor's declarou o "default parcial" dos quatro grandes bancos gregos - NBG (Banco Nacional da Grécia), Pireo, Eurobank e Alpha -, após a implementação do controle de capitais a fim de evitar a fuga massiva de divisas.
Grécia confirma atraso de pagamento ao FMI e deve suspender referendo
País tenta retomar negociação para pagar dívida com o Fundo Monetário Internacional