O mercado financeiro global opera em pânico nesta terça-feira (3), com as principais bolsas da Europa e Ásia registrando perdas severas pelo quarto dia consecutivo de conflito no Oriente Médio. O principal gatilho para a derrocada é a confirmação de Teerã sobre o fechamento do Estreito de Ormuz, por onde transita 20% do petróleo mundial.
A perspectiva de uma guerra de até cinco semanas, conforme projetado por Donald Trump, alimenta temores de uma crise energética global e de uma nova onda inflacionária persistente.
Europa: bancos e energia lideram perdas
Na manhã de hoje, o índice pan-europeu Stoxx 600 recuava 2,66%, atingindo seu menor patamar em duas semanas. Os setores bancário e de utilidade pública sofrem as maiores quedas, superiores a 3%, refletindo a instabilidade sistêmica.
Em Frankfurt, o índice DAX despencou 3,26%, enquanto Paris e Londres registram baixas em torno de 2,5%. O economista-chefe do Banco Central Europeu (BCE), Philip Lane, alertou que o choque nos preços do gás natural e do petróleo deve impulsionar fortemente o CPI (inflação ao consumidor) e frear o crescimento do bloco.
Petróleo
Os preços do petróleo dispararam hoje, impulsionados pelo temor do mercado de uma prorrogação da guerra no Oriente Médio, pelo fechamento de fato do Estreito de Ormuz e pelas infraestruturas do setor de energia sob ataque.
Às 9h15 GMT (6h15 de Brasília), a cotação do Brent do Mar do Norte para entrega em maio subia 5,45%, a 81,98 dólares (425 reais) por barril. O West Texas Intermediate (WTI) americano, para entrega em abril, avançava 5,32%, a 75,02 dólares (389 reais).
Ásia e Oceania: tombo histórico na Coreia do Sul
Na Ásia, o índice Kospi, de Seul, sofreu um tombo de 7,24%, seu pior desempenho em 19 meses, pressionado pelas gigantes de semicondutores Samsung (-9,88%) e SK Hynix (-11,50%). No Japão, o Nikkei recuou 3,06%, interrompendo uma sequência recente de máximas históricas.
Na China, o índice de Shenzhen caiu 3,24%, enquanto na Oceania a bolsa australiana fechou no vermelho. O temor central dos investidores asiáticos é a interrupção do fornecimento de insumos energéticos vitais para a indústria tecnológica da região.
Resumo das variações
- Milão: -3,72%
- Madri: -3,76%
- Frankfurt: -3,26%
- Paris: -2,57%
- Seul (Kospi): -7,24% (fechamento)