Economia

Haddad fala sobre crise do IOF e ressalta que Fazenda não abrirá mão de metas

Ministro conversou com jornalistas nesta segunda-feira

Haddad falou sobre a crise do IOF com o Congressos
Haddad falou sobre a crise do IOF com o Congressos Foto : Diogo Zacarias / Ministério da Fazenda

Ao atender jornalistas na manhã desta segunda-feira, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, abordou a crise com o Congresso aberta pelo Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Haddad deixou claro que sua pasta não irá abrir mão dos objetivos estipulados com o governo federal e com o Legislativo e falou na necessidade de se buscar medidas estruturais para solucionar o quadro fiscal do País.

"O que eu sempre deixei claro é que a Fazenda não irá abrir mão das metas estabelecidas. Não podemos. O que tiver de fazer eu vou fazer, agora eu prefiro soluções estruturais. Se o Congresso está dizendo que prefere, vou eu dizer o contrário?”, questionou.

O ministro destacou que as medidas estruturais são muito melhores para o Brasil. “O que a Fazenda não pode fazer é perder a iniciativa. Se nos acomodarmos, vai acontecer isso: ao invés de você conseguir o grau de investimento, vai melhorando uma nota e melhorando outra e não vamos chegar a lugar algum”, ressaltou.

Parlamentares pressionam o governo federal desde a semana passada para reaver o ajuste no IOF, decisão que pode ser derrubada no próximo 10 de junho pela Câmara dos Deputados. Haddad colocou que a questão do imposto precisa ser debatida e que não cairá de uma vez só. reforçou que não haverá uma discussão individualizada sobre pontos do decreto do IOF, como a tributação sobre risco sacado. “Esse assunto não vai ser discutido dessa forma. Vai ser discutido rapidamente, até porque ninguém aqui quer postergar. Eu não preciso de dez dias. Nós sabemos o que precisa ser feito e até acredito que nesta semana nós poderemos melhorar a regulação do IOF, mas aí combinando com as questões estruturais”, salientou.

Haddad ainda considerou que alterações na CSLL não são o remédio adequado para o atual quadro fiscal. O ministro disse que serão corrigidas distorções para abrir espaço para calibrar o decreto do IOF, e que essa calibragem será "no âmbito de uma expansão da correção dos desequilíbrios existentes hoje, nos tributos que dizem respeito às finanças”. Questionado sobre o cardápio de medidas, Haddad não quis adiantar quais serão, mas foi questionado sobre alterações na CSLL. Inicialmente, o ministro disse que uma medida que não foi votada pelo Congresso não pode ser considerada derrubada, mas depois descartou a mudança.

O ministro da Fazenda fez a ponderação de que é preciso pensar mais longe. “Querem alterar o curto prazo, altera o longo prazo junto porque aí você faz uma combinação que dá para o cidadão e para o investidor um horizonte das regras do jogo, com previsibilidade e transparência e até com uma discussão sobre justiça”, destacou.

Haddad confirmou que irá conversar ao longo da semana com líderes da Câmara e do Senado Federal e disse que sempre teve reuniões produtivas. “Eu sempre aceito convites do Senado e da Câmara. Sempre que fui lá saí com ganhos institucionais. Melhora o clima, o entendimento do que precisa ser feito e melhora a compreensão do prazo, porque muitas vezes a gente fica espremido pelo curto prazo. Nós abrimos uma grande oportunidade para discutir o que importa”, comentou.

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