Esse crescimento beneficiará diversos tipos de profissionais, mas que terão de se qualificar para trabalhar nas redes internacionais. A presidente da Porto Alegre Convention & Visitors Bureau (POACVB), Berenice Lewin, avalia que, só nos novos empreendimentos na Capital e na região Metropolitana, os empregos diretos podem chegar a mais de mil e os indiretos entre 3 mil e 4 mil. "Os hotéis vão precisar de todo o tipo de empregados. Desde a parte de gerente, camareira e garçons até lavadeiras, garagistas e manobristas", diz. Devem abrir vagas também para cozinheiros, seguranças, copeiros, auxiliares de cozinha, maître, etc.
Os ganhos de quem trabalha no setor variam conforme a região do Estado, que conta atualmente com mais de mil meios de hospedagem. Mas, segundo o presidente do Sindicato Intermunicipal da Hotelaria no Rio Grande do Sul (Sindihotel), Manoel Suárez, nos chamados cargos de entrada, é possível receber um salário entre R$ 1 mil e R$ 2 mil mensais. "Os ganhos para recepcionistas estão estimados em R$ 1,5 mil. Para camareira, chegam a R$ 1 mil, e para governança são de R$ 2 mil", relata. Hoje, o ramo hoteleiro gaúcho emprega cerca de 10 mil funcionários, sendo de 30% a 40% deles na Capital e na região Metropolitana.
A qualificação dos pretendentes a essas vagas passa basicamente pelo aprendizado do inglês e do espanhol. Conforme Berenice, a exigência é basica, principalmente, para quem trabalha com atendimento ao público. "É imprescindível que as pessoas possam orientar os turistas." Mas ressalta a importância de os interessados correrem para aprender uma língua estrangeira agora. "As pessoas precisam começar a aprender agora, e não quando faltar seis meses para o início do Mundial", alerta. De acordo com Suárez, também é preciso que os atuais empregados da rede hoteleira gaúcha passem por reciclagem e capacitação.
Treinado para bem receber
A pessoa que recepciona os clientes que chegam para se hospedar nos hotéis é chamada de capitão-porteiro. No Sheraton Hotel de Porto Alegre, o encarregado de bem receber os hóspedes - dos quais grande parte vem de fora do Brasil - é Eduardo Finamor, de 26 anos. Há oito anos trabalhando no estabelecimento, Finamor revela que começou como menor aprendiz. "Eu entrei como auxiliar de cozinha e logo passei a ser repositor de frigobar. Comecei a fazer um cross training, que consiste em fazer treinamento interno para outras funções", explica.
Seu maior diferencial em relação a outros profissionais do mercado está em saber se comunicar em inglês. "Eu nunca fiquei parado. Estudei inglês, aprendi a dirigir, tirei carteira de motorista, conheci a cidade. Isso é importante, pois precisamos informar os visitantes como eles devem fazer para ir aos lugares, onde ficam os pontos turísticos da cidade", exemplifica.
Atualmente, cursando o Bem Receber Copa, programa governamental para capacitar os profissionais do ramo hoteleiro, Finamor já mira o próximo objetivo: tornar-se recepcionista. "Quem sabe no futuro eu consiga fazer um curso universitário em hotelaria", sonha. Morador da vila Bom Jesus, na Capital, Finamor passou a ser tratado como exemplo na comunidade onde mora. "Eu fazia um curso de cartonagem e reciclagem de papel. Depois que vim para o Sheraton, virei exemplo de sucesso na vila e ajudei outras pessoas a virem trabalhar aqui."
Oportunidades são geradas em cadeia
A hotelaria não irá crescer sozinha. Trará a reboque emprego para outras áreas, especialmente às ligadas ao turismo e com atendimento ao público. Segundo Berenice Lewin, presidente da POACVB, o complexo turístico como um todo deve gerar 8 mil vagas em Porto Alegre. No topo da lista estão os profissionais que podem ser contratados diretamente pelos hotéis ou atuar de maneira terceirizada, como de lavanderia, manobristas, professores de inglês e espanhol, contadores, advogados, jornalistas, profissionais e informática, dentre outros.
Os taxistas também devem sentir diretamente os impactos do crescimento da rede hoteleira. Além de cada empreendimento precisar de um ponto próximo, o fluxo de turistas vai aumentar significativamente, obrigando-os a, também, se capacitar a falar inglês. "Os taxistas têm que ter o pensamento de que eles são o primeiro contato com o turista. Aquele que investe no inglês terá mais chance de fazer bons negócios. Os garçons também devem se preocupar em aprender línguas para lidar com o turista. Falar inglês e espanhol vai ser fundamental", orienta José Paulo da Rosa, diretor regional do Senac.
Na carona, também vêm os serviços de transporte para grupos, de guias turísticos, tradutores e intérpretes e motoristas. O setor gastronômico também será beneficiado, mas com pouca oferta de vagas, conforme Berenice projeta. "Acredito que devam abrir umas 200 vagas na Capital, pois não devem abrir novos restaurantes."