Economia

IA no mercado de trabalho: o que muda para os profissionais?

Pesquisa aponta que 87% dos brasileiros acreditam que a tecnologia pode substituir trabalhadores; veja como se preparar

"Temos que nos tornar inimitáveis", diz professor sobre o futuro do trabalho na era digital
"Temos que nos tornar inimitáveis", diz professor sobre o futuro do trabalho na era digital Foto : Julio Bazanini / USP Imagens / CP

A tecnologia tem modificado o mercado de trabalho, alterando funções e a forma como interagimos com serviços. Um exemplo é a quantidade de pessoas trabalhando em uma agência bancária. Anos atrás, existiam funcionários que estavam disponíveis para auxiliar nos caixas eletrônicos, algo que quase não é mais visto, em parte porque é possível resolver muitas coisas diretamente pelos aplicativos.

Neste contexto de mudanças rápidas, é preciso estar atento a quais habilidades estão sendo valorizadas e encontrar formas de se manter atualizado para continuar por dentro do mercado de trabalho.

De acordo com a pesquisa Consumo e uso da Inteligência Artificial no Brasil, de 2025, 56% das pessoas acreditam muito que a IA pode substituir trabalhadores ou profissões no futuro, outros 31% acreditam um pouco que isso pode acontecer.

“Nós não seremos substituídos por inteligência artificial, porém nós poderemos ser substituídos por outro profissional que saiba usar”, aponta Adão Rocha, professor de Gestão de Recursos Humanos da FADERGS.

Ele observa que, quando começou a se falar mais em IA e no avanço tecnológico, acreditava-se que as funções mais afetadas seriam aquelas operacionais e repetitivas. Entretanto, hoje em dia, percebe-se que cerca de 80% das profissões serão afetadas de alguma forma por novas tecnologias. Isto porque estão sendo desenvolvidas ferramentas para múltiplas áreas, o que vai desde caixas de autoatendimento em mercados até sistemas que verificam exames para auxiliar na produção de laudos. Adão reforça que nem tudo é para substituir, muitas tecnologias servem para auxiliar nos processos.

O professor também salienta que existem estereótipos que precisam ser quebrados. Uma crença comum é que pessoas mais jovens, por serem nativas digitais, conseguem usar com facilidade diferentes tecnologias para trabalho, o que pode não ser a realidade de toda a geração. Ao mesmo tempo, é preciso tomar cuidado com o etarismo, pois nem toda pessoa mais velha tem dificuldade de utilizar novos sistemas.

👩🏻‍💻 Quais as características valorizadas neste novo contexto?

Pode parecer que o principal é se manter atualizado em relação às tecnologias que estão surgindo. Embora isso seja importante, Adão indica que é preciso ser um profissional multiespecialista, por isso, buscar formações que possibilitem entender um pouco de diferentes áreas pode ser um diferencial. Por exemplo, para quem trabalha em contato com pessoas, especializações em psicologia e comunicação podem ser úteis.

“Aquele profissional que consegue integrar todos esses conceitos, vai ter uma vantagem competitiva muito grande, porque ele consegue enxergar outras possibilidades e variáveis que um outro profissional não percebe”, ressalta.

Ele também percebe que as competências socioemocionais estão sendo cada vez mais valorizadas. Principalmente a inteligência emocional para analisar e responder de maneira mais adequada às situações adversas, sem se sobrecarregar emocionalmente. Outra competência que o professor avalia ser importante é a comunicação para que o profissional consiga transmitir suas ideias e mediar situações mais complicadas.

Ser criativo é outra característica valorizada, pois ela torna possível encontrar novas soluções. Adão aponta que para isso é preciso ser curioso e construir um repertório que possibilite novas ideias.

“Sem repertório, não se consegue ser criativo o suficiente para poder atender as expectativas profissionais, independentemente da área”, reforça.

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📲 Como se manter atualizado

Desenvolver soluções criativas também pode envolver conhecer o atual cenário tecnológico. Ter habilidades para lidar com a digitalização dos serviços também é fundamental. Em um momento em que tantas ferramentas surgem, pode ser difícil acompanhá-las.

“A gente pode aprender em qualquer lugar”, aponta Adão. Para ele, o importante não é o meio, mas sim de onde a informação está vindo. Por isso, ele indica que o estudante ou profissional crie uma curadoria dos assuntos ou agentes principais que precisam ser acompanhados em sua área. Redes sociais, lives, podcasts e outros formatos de conteúdos podem fornecer informações e dicas úteis sobre o mercado de trabalho.

“Temos que nos tornar ‘inimitável’ e diferentes da máquina”, concluí Adão. Articular habilidades de inteligência emocional, comunicação e entender como usar ferramentas digitais como aliadas no trabalho são algumas estratégias para alcançar esta distinção.

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