Economia

IBGE: desigualdade cai a nível histórico no Brasil

Três indicadores do cenário apresentaram queda, segundo o instituto

Diferença entre população com os maiores rendimentos e o grupo com as menores remunerações diminuiu
Diferença entre população com os maiores rendimentos e o grupo com as menores remunerações diminuiu Foto : Marcos Santos/ USP Imagens / CP

A pesquisa “Rendimento de todas as fontes”, divulgada nesta quinta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelou que a desigualdade de renda no Brasil desceu a um piso histórico em 2024, em meio ao mercado de trabalho aquecido e à manutenção de programas sociais pelo governo.

Os três indicadores que avaliam as desigualdades de rendimento na pesquisa apresentaram queda. Em 2024, os 10% da população com os rendimentos mais elevados recebiam o equivalente a 13,4 vezes o rendimento dos 40% da população com os menores rendimentos. Essa foi a menor razão da série histórica, que atingiu seu pico (17,1 vezes) em 2018.

O analista do IBGE Gustavo Fontes salientou que no ano passado “o rendimento médio domiciliar per capita dos 40% da população com menores rendimentos chegou ao maior valor da série histórica. Entre os fatores que podem explicar tal crescimento, estão o dinamismo do mercado de trabalho nos últimos anos, com a elevação do nível de ocupação e o crescimento do rendimento médio do trabalho, inclusive nos décimos mais baixos, bem como os reajustes do salário mínimo e o recebimento de benefícios de diferentes programas sociais do governo”.

Já o 1% da população com maiores rendimentos recebia o equivalente a 36,2 vezes o rendimento dos 40% com a menor renda. Essa também foi a menor razão entre esses dois segmentos, em toda a série da pesquisa. O auge desse indicador (48,9 vezes) foi atingido em 2019.

Por fim, o índice de Gini do rendimento mensal real domiciliar per capita também chegou ao seu menor nível na série histórica: 0,506. O Gini mais alto da série (0,545) ocorreu em 2018. Esse indicador mede a concentração de renda e varia de 0 (máxima igualdade) a 1 (máxima desigualdade).

Gustavo destaca que, “entre 2023 e 2024, o aumento no rendimento per capita ocorreu com maior intensidade no limite inferior da distribuição (ou seja, nas classes de menor renda), enquanto no extremo superior das classes de renda, o crescimento do rendimento per capita ficou bem abaixo da média nacional”.

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