Economia

Ibovespa tem 5ª alta seguida em dia de votação de denúncia contra Temer na Câmara

Rejeição à abertura do inquérito é vista como passo para viabilizar aprovação da Reforma da Previdência

Ibovespa tem 5ª alta seguida em dia de votação de denúncia contra Temer na Câmara
Ibovespa tem 5ª alta seguida em dia de votação de denúncia contra Temer na Câmara Foto : Wang Jung-Young / AFP / CP Memória
O Índice Bovespa teve nesta quarta-feira, sua quinta alta consecutiva, desta vez embalado pela expectativa de vitória folgada do presidente Michel Temer na votação da denúncia contra ele na Câmara dos Deputados. Na prática, a rejeição à abertura de inquérito contra o presidente é vista como um passo importante para viabilizar a aprovação da reforma da Previdência neste ano, algo que vinha sendo praticamente descartado nas previsões dos analistas.

O Índice Bovespa chegou a alternar altas e baixas pela manhã, mas consolidou a tendência de positiva no início da tarde, quando o quórum mínimo de 342 deputados presentes no plenário da Câmara foi atingido pela primeira vez. Ao final dos negócios, o índice marcou 67.135,99 pontos, em alta de 0,93%. Os negócios somaram R$ 9,6 bilhões. Com a chegada ao patamar dos 67 mil pontos, o indicador está próximo de anular os efeitos da crise política deflagrada na noite do dia 17 de maio. Naquele dia, o índice havia fechado em 67.540 pontos.

A alta do dia foi influenciada principalmente pelas ações da Petrobras e dos bancos, que voltaram a subir em bloco. No caso da estatal petrolífera, contribuíram a alta dos preços do petróleo no mercado internacional e a percepção positiva com o cenário político doméstico. Ao final dos negócios, Petrobras ON teve alta de 2,56% e Petrobras PN ganhou 2,97%. Entre os bancos, o destaque foi Banco do Brasil, que avançou 4,03%. A ação do BB vem subindo nos últimos pregões por causa da expectativa positiva pelo balanço do segundo trimestre, mas também teria refletido hoje a melhora da percepção política.

"O cenário político influenciou bastante os negócios hoje, porque o mercado voltou a considerar a possibilidade de o governo retomar as discussões em torno da reforma da Previdência", disse William Castro Alves, diretor da Valor Gestora de Recursos. O analista ressalta ainda os sinais de melhora observados em julho, quando o Ibovespa subiu 4,8%. "O mês de julho foi bastante positivo e com ingresso de R$ 3 bilhões em recursos externos e indicação de resultados corporativos melhores", afirma o profissional.

Com as cinco altas consecutivas até agora, o Ibovespa teve ganho acumulado de 3,27%. Com isso, passa a contabilizar alta de 11,47% em 2017. As análises gráficas apontam manutenção da tendência de alta do Ibovespa, que teria como alvo os 69.500 pontos, pico intraday do ano.

Dólar

No aguardo pela votação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer no plenário da Câmara, o dólar operou a maior parte do tempo em baixa, acentuando as perdas no início da tarde depois que a sessão atingiu os 342 parlamentares necessários para a votação. Os investidores seguem focados na margem favorável que Temer poderá ter para analisar a viabilidade de aprovação da reforma da Previdência. Além disso, o petróleo em alta de mais de 1% e a fraqueza da moeda americana no exterior contribuíram para o movimento vendedor.

Na última hora de negociação, o dólar reduziu as perdas em meio ao atraso no início da votação, que chegou a ser cogitada para começar às 14h e depois foi postergada, com previsão para o início da noite. Pela manhã, foi observada certa cautela.

Ainda assim, a perspectiva do mercado de continuidade do governo Temer prevaleceu. De acordo com o operador da corretora H.Commcor Cleber Alessie Machado Neto, os mercados se animaram após a Câmara atingir o quórum de 342 parlamentares necessários para dar início à votação e com a rápida elevação deste número.

O gerente de câmbio da Treviso Corretora, Reginald Galhardo, apontou que o mercado tem operado no sentido de que, se Temer ganhar corpo agora, ele conseguirá aprovar a reforma da Previdência, "gerando credibilidade ao País, que é o que a gente precisa agora para atrair de volta os investimentos".

Outros fatores também contribuíram para a queda do dólar. A moeda americana no exterior passou a operar com fraqueza depois que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assinou uma medida que impõe sanções contra o Irã, Coreia do Norte e Rússia.

Além disso, o dólar perdeu força também depois que a presidente da unidade de Cleveland do Federal Reserve (Fed), Loreta Mester, defendeu que o Fed mantenha o ritmo de aperto monetário gradual. Já o presidente da unidade de St. Louis do Fed, James Bullard, disse que o banco central americano deveria ficar "em pausa" no que se refere a novas altas de juros, dadas as leituras baixas de inflação. A alta de mais de 1% do petróleo também ajudou na valorização do real.

No mercado à vista, o dólar terminou em baixa de 0,18%, aos R$ 3,1202. O giro financeiro somou US$ 715 milhões. Na mínima, a moeda ficou em R$ 3,1141 (-0,37%) e, na máxima, aos R$ 3,1381 (+0,39%).

No mercado futuro, o dólar para setembro caiu 0,43%, aos R$ 3,1315. O volume financeiro movimentado somou US$ 13,07 bilhões. Durante o pregão, a divisa oscilou de R$ 3,1320 (-0,41%) a R$ 3,1560 (+0,34%).

Taxas de juros

Os juros futuros de longo prazo encerraram a sessão regular desta quarta-feira, do segmento BM&F perto das mínimas do dia. A sessão para votação do relatório do deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), que pede a rejeição da denúncia contra o presidente Michel Temer, na Câmara dos Deputados mobilizou todas as atenções no mercado.

As taxas ampliaram a queda faltando meia hora para o fim da sessão, na medida em que crescia a expectativa de aprovação do relatório por uma ampla margem de votos. Nesta tarde, a Câmara dos Deputados já reunia mais do que o quórum mínimo de 342 deputados necessários para a votação. Os contratos de curto e médio prazo igualmente fecharam em baixa, de menor magnitude em relação aos longos, ainda refletindo a perspectiva de novos afrouxamentos na política monetária.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2018 (155.250 contratos) fechou em 8,210%, de 8,230% no ajuste de terça-feira. A taxa do DI para janeiro de 2019 (246.355 contratos) terminou em 8,02%, de 8,05% no último ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2020 (155.765 contratos) caiu de 8,69% para 8,64% e a do DI para janeiro de 2021 (271.545 contratos), de 9,28% para 9,23%. O DI para janeiro de 2023 (65.650 contratos) encerrou com taxa de 9,81% (mínima), de 9,88%.

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