O desconto chega a ser de 342% maior na Alemanha (7.679,98 dólares), já considerando no cálculo a paridade de poder de compra (custo de vida) medido pela Ocde, segundo as contas da EY. Seguindo a mesma regra, o valor da dedução no Brasil equivale a 1.735,94 dólares. No Reino Unido, a dedução autorizada pelo Fisco é integral.
Segundo o gerente sênior de Capital Humano da EY, Leandro Souza, alguns dos países mais bem colocados no Pisa - a mais importante pesquisa internacional sobre educação - oferecem incentivos maiores ao ensino pela dedução de despesas por dependente ou do próprio contribuinte. É o caso da Alemanha, 16 lugar em Matemática, que permite deduzir inclusive gastos com livros. O Brasil está aquém da média no ranking: em Matemática, ocupa a 58 posição entre 65 países da pesquisa. Na área de Leitura, está em 55, e em Ciências, na 59 posição.
Mesmo países emergentes estão na frente do Brasil. No México, os gastos por dependentes podem ser reduzidos em até 24,5 mil pesos mexicanos (3.127,07 dólares considerando a paridade de poder de compra), 80% mais do que no Brasil. E as despesas com transporte escolar também podem ser deduzidas. Na Índia, são 100 mil rúpias (4.783,55 dólares), 176% mais que no Brasil. Dos emergentes, somente na estatizada China, 1 colocada no Pisa, não é possível qualquer dedução de despesas com educação.
Especialistas defendem o aumento do limite da dedução - que foi criado em 1964 e que representava 20% da renda bruta - ou mesmo a sua retirada, como ocorreu com as despesas com saúde. Afinal, calculam eles, dois meses de mensalidade em alguns colégios particulares brasileiros cobrem a dedução do IR para um ano com educação.