Economia

Impulsionado pela agropecuária e pela indústria, PIB do RS cresce 4,5% no terceiro trimestre de 2025

Recorte trimestral aponta crescimento superior ao resultado nacional, mas abaixo no acumulado do ano

Dados foram apresentados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG)
Dados foram apresentados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG) Foto : Pedro Piegas

O Produto Interno Bruto (PIB) do Rio Grande do Sul cresceu 4,5% no terceiro trimestre de 2025 na comparação com os três meses imediatamente anteriores, considerando a série com ajuste sazonal. O desempenho ficou acima da média nacional, que registrou avanço de apenas 0,1% no mesmo período, segundo dados divulgados pelo Departamento de Economia e Estatística (DEE), vinculado à Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG).

O resultado positivo foi impulsionado principalmente pela agropecuária, que teve expansão de 20,5% no trimestre, e pela indústria, com crescimento de 2,3%. Já o setor de serviços apresentou variação de 0,1%, desempenho semelhante ao observado no Brasil.

A diretora-geral em exercício da SPGG, Iracema Castelo Branco, destacou que o crescimento reflete uma característica da economia gaúcha. “Existe uma dependência da atividade agropecuária na economia, e isso também é o retrato do Brasil. A indústria vem perdendo participação ao longo do tempo, enquanto a agricultura cresce, mas o Rio Grande do Sul sofre com o problema recorrente da estiagem”, avaliou.

Segundo Iracema, o governo do Estado tem buscado mitigar esse cenário com investimentos em irrigação. Ela citou iniciativas conduzidas pela Secretaria da Agricultura, como o programa Irriga+RS, e estudos em andamento envolvendo a SPGG, a Secretaria do Meio Ambiente e Infraestrutura (Sema) e outras pastas. “Os esforços têm aumentado, mas ainda são pequenos frente ao tamanho do desafio. É uma pauta que tem sido tratada diretamente pelo governador Eduardo Leite e pelo vice-governador Gabriel Souza”, afirmou.

Dentro da indústria, o crescimento foi observado na indústria de transformação (1,5%), na construção (0,4%) e, principalmente, nos segmentos de eletricidade, gás, água, esgoto e limpeza urbana, que avançaram 10,2%. Apenas a indústria extrativa apresentou retração no trimestre, com queda de 1,3%.

Na comparação com o terceiro trimestre de 2024, o PIB gaúcho cresceu 2,5%, novamente acima do resultado nacional, que foi de 1,8%. Nesse recorte, a indústria do Estado avançou 3,7%, com destaque para a fabricação de produtos do fumo (45,3%), máquinas e equipamentos (13,1%), celulose e papel (12,9%), bebidas (12,9%) e produtos alimentícios (8,7%).

O pesquisador Martinho Lazzari explicou que, apesar do bom desempenho recente, a economia gaúcha tende a se distanciar da média nacional em 2025 principalmente por conta da estiagem. “O restante da economia acompanha o Brasil. O mercado de trabalho segue aquecido, com taxa de desemprego em níveis historicamente baixos, o que sustenta o consumo e os serviços”, analisou.

O diretor adjunto do DEE, Pedro Zuanazzi, acrescentou que o comércio ainda reflete os efeitos da injeção de recursos ocorrida no período pós-enchentes no ano anterior. “O consumo atingiu um pico no fim de 2024 e, desde então, vem passando por um processo de acomodação. Apesar de quedas em alguns trimestres, o nível segue elevado e acima do período pré-enchente”, explicou.

No acumulado de janeiro a setembro de 2025, o PIB do Rio Grande do Sul apresentou alta de 0,5%. No período, indústria e serviços cresceram 2,0% cada, enquanto a agropecuária teve retração de 10,8%, fortemente impactada pela estiagem registrada no segundo trimestre. No acumulado de quatro trimestres, o crescimento do Estado foi de 1,5%.

Dependência da agropecuária

Lazzari também chamou atenção para a forte conexão entre a agropecuária e o restante da economia gaúcha. “O setor primário está diretamente ligado ao processamento industrial, ao fornecimento de insumos, máquinas e fertilizantes. Oscilações grandes na produção agrícola acabam se espalhando por toda a economia”, explicou.

Segundo ele, embora a área irrigada no Estado tenha aumentado significativamente, saindo de cerca de 1% para 4% da área plantada, o percentual ainda é pequeno frente à dimensão do agronegócio gaúcho. “O endividamento dos produtores, após sucessivas estiagens, acaba limitando novos investimentos, mesmo com ganhos comprovados de produtividade”, completou.

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