Tombini salientou que o País tem investido mais em educação financeira e isso tem gerado transformações importantes. Ele enfatizou ainda a criação de um círculo virtuoso no Brasil, formado pelo crescimento do mercado de crédito e da economia geral. Como exemplo, citou que a relação crédito/PIB avançou da casa dos 20% para a de 50% recentemente. "Isso é fruto da estabilidade macroeconômica nos últimos anos", disse. "E, em parte, tem sido fruto de regras responsáveis para o sistema regulatório e prudencial", acrescentou.
O sucesso do País, de acordo com Tombini, é fruto também de outros fatores que ocorreram de forma simultânea, como o maior acesso a serviços financeiros e o aumento da taxa de emprego. Assim, conforme o presidente do BC, a inclusão financeira é importante principalmente por dois motivos. O primeiro é por ser um instrumento que pode contribuir para a redução das desigualdades social e o crescimento do País. O segundo é porque a inclusão fortalece o principal canal de transmissão da política monetária, que é o sistema financeiro. "A inclusão ajuda a aumentar eficácia da nossa política monetária e contribuirá para o aperfeiçoamento das políticas públicas".
Tombini defendeu que o processo de inclusão financeira vivida pelo Brasil nos últimos anos deve acontecer de forma "segura e sustentável". "O Brasil mudou bastante nas últimas décadas. Pessoas têm demandas específicas e novas tecnologias surgem a cada dia. Esse processo de inclusão financeira precisa ser conduzido de forma segura e sustentável", disse.
Um dos aspectos defendidos por Tombini é que haja avanço nos instrumentos de investimento financeiro. "Avançamos em serviços financeiros nos últimos anos, o mesmo não aconteceu com o investimento financeiro", disse. Outro aspecto é a necessidade de maior oferta de educação financeira aos brasileiros que estão estreando no acesso às operações financeiras. "Para que o processo continue, é fundamental educação financeira", defendeu.
Também durante sessão solene do BC, Luiz Awazu Pereira, diretor de regulação do sistema financeiro da instituição, afirmou que a inclusão financeira reforça a economia e contribui para seu crescimento. Ele ponderou, porém, que o ritmo de crescimento do acesso a serviços precisa ser compatível com aumento da renda e do emprego.
Assim como enfatizou o presidente do BC, Alexandre Tombini, o diretor salientou que a experiência internacional mostra que existe um vínculo importante entre o desenvolvimento e a evolução do mercado de crédito. Ele também citou a importância da estabilidade macroeconômica e financeira do País, obtida, de acordo com o diretor, "graças a nossa robustez regulatória".
Awazu disse também que o BC tem constatado que a inclusão financeira é ação prioritária para a economia brasileira. "Acreditamos que a adequada inclusão favorece a redução da pobreza por dois efeitos interligados: o desenvolvimento da indústria financeira e o aumento da qualidade de vida da população", argumentou.
Estabilidade
Tombini enfatizou que a estabilidade macroeconômica propicia um ambiente de maior previsibilidade e segurança para os agentes econômicos. "Pela experiência internacional, sabemos que o desenvolvimento econômico precisa de aprimoramento do mercado de crédito e maior acesso ao sistema financeiro", disse. Ele salientou que as duas missões perseguidas pelo BC são a estabilidade de preços e do sistema financeiro.
O presidente do BC lembrou que a série de seminários realizados pela autoridade monetária começou há 10 anos com o microcrédito como tema. "Detectamos que precisávamos ampliar horizontes, pois era apenas um tipo de operação, e ampliamos o escopo para microfinanças", disse. "Concluímos depois que o tema poderia ser alargado e resolvemos tratar da inclusão financeira", acrescentou.
Tombini ressaltou que o esforço da instituição para aumentar o acesso aos serviços financeiros nos últimos anos gerou resultados. "Hoje, todos os municípios brasileiros têm acesso a pelo menos um ponto de serviço financeiro", disse, ao comentar a marca atingida no ano passado.
Entre as medidas adotadas pelo governo, Tombini ressaltou a popularização dos correspondentes bancários, sociedades de crédito ao micro empreendedor, expansão do crédito consignado e microcrédito, além da criação da conta simplificada bancária. "Tudo isso contribuiu para o amplo avanço da inclusão financeira no Brasil", disse.
Além disso, disse que atualmente apenas cerca de 100 cidades brasileiras têm menos de três pontos de serviço financeiro. "Além de todos os municípios serem atendidos, também houve adensamento nos serviços", disse.