Economia

Indústria e consumidor estão mais otimistas com os rumos da economia

Economista da FGV atribuiu melhor avaliação dos empresários à redução da taxa básica de juros

Influenciada pela redução da taxa básica de juro, as expectativas dos empresários em relação à economia brasileira dão pequenos sinais de otimismo para os próximos meses. Depois de dez meses de queda, dados preliminares sinalizam que o Índice de Confiança da Indústria (ICI) medido pela Fundação Getulio Vargas (FGV) ficará estável em novembro.

De acordo com análises divulgadas nesta sexta-feira, o índice deve ficar em 100,7 pontos, o menor desde agosto de 2009 (100,2) e 3,2 pontos abaixo da média histórica (103,9) da série, que começou em 2003. Já o Nível de Utilização da Capacidade Instalada (Nuci), que permite avaliar a situação dos dos estoques, ficou em 83,3%, um pouco menor que o de outubro (83,5%).

Segundo a FGV, o resultado do ICI reflete estabilidade dos indicadores. O Índice da Situação Atual, que mede a proporção de empresas que avaliam o cenário econômico de forma positiva, caiu 1,8% (para 100,2 pontos), enquanto o Índice de Expectativa, que avalia a percepção para a produção nos três meses seguintes, aumentou para 101,2 depois de marcar 100 pontos por duas vezes.

De acordo com o economista da FGV Aloisio Campelo, organizador da pesquisa, do ponto de vista da indústria, 2011 foi marcado pela competição com produtos importados, pelo cenário econômico internacional conturbado, pelo aumento da inflação e pelas altas taxas de juros.

No entanto, o economista atribuiu o aumento da melhor avaliação dos empresários no IE à redução da taxa básica de juros (Selic) pelo Banco Central, em agosto. Segundo ele, como todo cenário econômico se manteve estável nos últimos trimestres, o corte nos juros foi o único fator que pode ter influenciado a percepção dos empresários que, embora de forma "tímida", sinaliza para uma reação do setor industrial.

"Nessa virada de ano, a notícia que mais pode estar afetando [a avaliação do empresariado] é a taxa de juros. Com isso, os empresários provavelmente têm uma expectativa de melhora dos indicadores de crédito, de inadimplência e podem ter alguma recuperação por esse lado", avaliou o economista.

A expectativa de uma situação melhor com a queda da Selic também foi captada pelo Índice de Confiança do Consumidor (ICC). Segundo a responsável pela sondagem, Viviane Bittencourt, o índice subiu 3,3% entre outubro e novembro, com aumento dos dois indicadores que compõem a taxa. Além do juro, a especialista cita a queda da inflação e as expectativas de contratações para o fim de ano.


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