"Trabalhamos com a convicção de que essa situação seja revista antes disso. Até porque o decreto russo tem característica se ser suspensão temporária", afirmou o diretor-executivo do Sindicato da Indústria de Produtos Suínos (SIPS) do RS, Rogério Kerber, ao site do Correio do Povo.
A opinião é compartilhada pelo Sindicato da Indústria de Carne e Derivados no Estado do Rio Grande do Sul (Sicadergs). De acordo com o presidente da entidade, Ronei Lauxen, mesmo que a sanção não seja revertida, a carne produzida aqui pode ser vendida para outros mercados. "Não sabemos ainda se essa medida vai causar prejuízo. Se não conseguirmos reverter a medida, vamos tentar redirecionar os produtos para outros mercados de exportação", explicou. A Rússia é o destino final de 6% da carne bovina produzida no Rio Grande do Sul – 25% da produção de carne in natura.
Na próxima segunda-feira, um encontro no Ministério da Agricultura pretende reunir entidades representativas e as empresas atingidas pela medida para que seja estabelecida uma estratégia de trabalho. De acordo com as autoridades russas, o embargo acontece porque algumas unidades não conseguiram atender os requerimentos da união alfandegária.
O presidente do Sindicarne e da Associação Brasileira de Frigoríficos (Abrafrigo), Péricles Salazar, explica que o governo brasileiro tentará alterar o prazo da entrada em vigor da medida para 30 de junho para ganhar tempo de negociação com os russos. “Técnicos do governo devem ir à Rússia negociar e explicar melhor as condições sanitárias do país, que são boas”, disse o presidente do Sindicarne à Agência Brasil. Ele avalia a decisão russa como política e não técnica. “Nossas relações comerciais com os russos sempre foram tumultuadas”, disse.