Economia

Indústria pretende investir mais em 2010

Aumento da renda, prorrogação do IPI e manutenção do crédito devem sustentar o dinamismo do detor

Apesar da piora dos indicadores da indústria em 2009 em relação ao ano anterior, as expectativas do setor são otimistas para 2010, conforme os dados da Sondagem de Investimentos da Indústria da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Haverá retomada dos investimentos. Pelo menos 48% das 972 empresas pesquisadas pretendem investir mais neste ano. Em 2009, apenas 29% delas pretendiam ampliar os gastos em máquinas e equipamentos, contra 51% em 2008.

A elevação mais acentuada ocorre em bens duráveis de consumo, cujo percentual de aumento é o maior da série (58%). O aumento de renda, a prorrogação da redução do IPI em importantes segmentos desta categoria e a manutenção das condições favoráveis do crédito são importantes fatores que devem sustentar o dinamismo do setor em 2010. A recuperação de bens de capital também é prevista. Este setor, que reflete o investimento em máquinas e equipamentos, está sendo influenciado pela política de incentivos do governo, como desonerações tributárias e pelo Programa de Sustentação dos Investimentos do BNDES, que oferece uma linha de crédito a juros baixos e prazos longos, propiciando aumentos dos seus desembolsos, amplamente direcionados à industria.

Dos 21 gêneros pesquisados, 14 apresentam previsões superiores às de 2009. Na comparação com o previsto para 2008, período em que as expectativas de investimentos eram das mais otimistas, somente cinco gêneros industriais, voltados predominantemente para o mercado interno, superam os resultados daquela época.

Em relação ao faturamento, as previsões para 2010 também são mais animadoras do que as de 2009, principalmente para bens duráveis de consumo, que devem continuar sendo beneficiados por bom desempenho dos negócios no mercado interno. A parcela de empresas que projetam aumento das vendas, descontada a inflação, em 2010, é de 69%, superior às 62% que previam o mesmo em 2009, mas inferior às 71% que projetavam crescimento em 2008. A proporção de empresas que planejam faturar menos em 2010 diminuiu de 12% para 8%.

Em 15 dos 21 segmentos industriais pesquisados, as projeções feitas para 2010 superam às do ano anterior, e em seis são inferiores. Em relação ao previsto para 2008, seis gêneros superam os prognósticos daquela época.

A pesquisa aponta ampliação de pessoal em 2010, mas em percentual inferior ao dos investimentos e do faturamento. O ritmo de expansão do emprego está mais lento. A parcela de empresas que pretendem contratar é de 40% (quase o mesmo patamar previsto em 2008), enquanto 12% programam demissões. O setor de bens de capital é o que alcança o maior percentual decontratação em 2010 (53%). Já em bens duráveis de consumo, ocorre o maior crescimento de indicações de aumento de mão-de-obra entre 2009 e 2010 (20 pontos percentuais).

Dos 21 gêneros industriais, 18 pretendem ampliar o contingente de mão-de-obra em 2010 (diferença entre os percentuais de contratações de pessoal sobre os de dispensas), em relação às previsões feitas para 2009. Em comparação com os prognósticos para 2008, oito segmentos apresentam resultados superiores.

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