Depois de eliminar 20 mil postos de trabalho e de um resultado negativo em seu desempenho, com queda de 5%, no ano passado, a indústria têxtil brasileira deve passar neste ano por um período de ajustes e só retomar o crescimento de fato, a partir de 2016, previu nesta quinta-feira, o presidente da Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit), Rafael Cervone.
Ele disse que o encarecimento dos custos de produção, com destaque para a energia elétrica e tributação, além da concorrência com os chineses, tem levado os empresários do setor a mudar de estratégias para manter as atividades. “Só este ano a energia ficou 40% mais cara e o megawatt /hora, que há dez anos custava R$ 60, 00, subiu para R$ 800,00 e isso preocupa muito o setor”.
De acordo com as projeções anunciadas pelo dirigente, as atividades estarão quase que estagnadas, com crescimento de 0,3% e faturamento de US$ 51,5 bilhões incluindo a área de confecção. Se isso se confirmar, o setor já terá um ganho em relação a 2014, embora Cervone aponte um cenário de dificuldades, em meio a queixas de falta de previsibilidade na economia e do temor de um mercado interno mais desaquecido.
O presidente da Abit informou que abrir mais os negócios no mercado externo surge como uma das estratégias para estimular a produção. Com esse propósito, segundo o líder empresarial, nas próximas semanas uma missão encabeçada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior deve embarcar rumo aos Estados Unidos. No entanto, segundo o MIDC ainda não tem data definitiva para o encontro com as autoridades americanas.
No caso dos tecidos usados na fabricação de jeans, por exemplo, o Brasil concorre com a Colômbia, que exporta para os americanos com alíquota zero. O executivo defendeu ainda outras frentes de atuação, visando a atrair também os consumidores na União Européia e mesmo no México, que seria uma porta de entrada para os Estados Unidos.
Com metas ainda de investir em inovação e produtividade, as empresas têxteis devem continuar neste ano com saldo negativo na contratação de pessoal. Há uma estimativa de corte de 4 mil vagas. O saldo da balança comercial projetado indica um déficit de US 6,13 bilhões, com alta de 2,7% nas exportações e de 3,6% na importação.
Para Cervone, o fato de o ministro da Fazenda, Joaquim Levy, reconhecer que o primeiro trimestre será ruim para a economia brasileira soa como um avanço da credibilidade do governo diante de um clima de incertezas para novos investimentos.
“O estímulo monetário na zona do euro vai proporcionar maior fluxo de capital disponível para os países emergentes no mercado global, reduzindo o custo dos financiamentos e facilitando a entrada de recursos no Brasil e em outros países emergentes”, destaca Agostini. “O mercado cambial fornece um termômetro simples. O euro caiu abaixo de R$ 3, e o dólar ficou abaixo de R$ 2,60 logo após o anúncio da medida”, acrescenta.
Os efeitos na economia real dos países emergentes, no entanto, levarão algum tempo para serem sentidos. Caso o estímulo monetário dê certo, a recuperação dos países da zona do euro pode estimular as exportações para o bloco econômico, melhorando o saldo comercial do Brasil com a região.
Apesar das perspectivas promissoras para o comércio exterior, Agostini alega que os efeitos vão demorar um pouco. “A compra de títulos públicos é o início de um processo. Somente quando houver efeito mais consistente do estímulo monetário na economia real da União Europeia, eles vão consumir mais. Por enquanto, o anúncio do Banco Central Europeu mexe mais com as perspectivas futuras de forma positiva”, explica.
O professor Márcio Salviato, coordenador do curso de economia do Ibmec, acredita que os efeitos sobre a balança comercial serão limitados. Para ele, o efeito positivo se concentrará nos setores da economia com maior abertura comercial com a União Europeia. “É importante lembrar que a União Europeia está perdendo espaço nas exportações brasileiras e não é um grande parceiro do Brasil. Os Estados Unidos e a Rússia hoje têm perspectivas mais promissoras que a zona do euro em relação ao comércio exterior”, declara.
Indústria têxtil prevê retomada de crescimento só em 2016
Maior preocupação do setor são os aumentos da energia elétrica e da tributação