A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 0,43% em maio, ante 0,57% em abril, segundo divulgou hoje o IBGE. O resultado é o menor desde dezembro de 2009, quando a inflação foi de 0,37%. As estimativas dos analistas ouvidos pelo AE Projeções apontavam para uma alta de 0,40% a 0,50%, com mediana de 0,44%.
Até o mês passado, o IPCA acumula altas de 3,09% no ano e de 5,22% em 12 meses. A coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, concede entrevista coletiva daqui a pouco para comentar os resultados.
Alimentos
O grupo dos alimentos desacelerou o ritmo de alta para 0,28% em maio, ante 1,45% em abril, segundo o IBGE. A redução no ritmo de reajuste dos produtos alimentícios foi o principal fator responsável pela desaceleração do IPCA de abril (0,57%) para maio (0,43%).
Apesar do menor reajuste desse grupo, o principal impacto de alta para o IPCA do mês ficou com item “refeição fora de casa”, com variação de 1,15% em maio, representando uma contribuição de 0,05 ponto porcentual na inflação mensal. O grupo dos não alimentícios mostrou aceleração nos reajustes de um mês para o outro, passando de 0,31% em abril para 0,48% em maio.
INPC
O INPC, que mede a inflação para a camada de renda mais baixa da população, ficou em 0,43% em maio, ante 0,73% em abril. A desaceleração na taxa de um mês para o outro foi provocada também pelo grupo dos alimentos, que passou de uma variação de 1,72% em abril para 0,34% em maio. Já os produtos não alimentícios, no INPC, aceleraram de 0,30% para 0,47%, na mesma base de comparação. Até o mês passado, o índice acumula altas de 3,50% no ano e de 5,31% em 12 meses.
O INPC mede a inflação para famílias de renda entre um e seis salários mínimos, enquanto o IPCA refere-se ao grupo com rendimento de um a 40 salários mínimos.
Acumulado
Os produtos alimentícios já acumulam, de janeiro a maio deste ano, um aumento de 5,48%, a terceira maior variação para o acumulado nos cinco primeiros meses do ano desde 1995, quando se inicia a série, para esse período, do Plano Real. As outras duas maiores variações anteriores foram apuradas de janeiro a maio de 2008 (6,40%) e de 2003 (6,85%).
Segundo a coordenadora de índices de preços do IBGE, Eulina Nunes dos Santos, os reajustes dos alimentos, que começaram a ceder em maio, refletiram os problemas climáticos que, no início deste ano, afetaram a quantidade e a qualidade dos produtos alimentícios, sobretudo os chamados in natura. Segundo ela, não há evidência de pressão de demanda sobre os preços desses produtos.
Eulina avalia que o aumento dos preços dos alimentos pode estar levando, inclusive, ao deslocamento do consumo de outros produtos para os alimentícios. A inflação acumulada desse grupo em 2010 já supera em muito a variação acumulada em todo o ano passado (3,18%).
Inflação oficial fecha maio com menor taxa do ano
Redução foi provocada especialmente pelo grupo dos alimentos