A inflação nos Estados Unidos registrou um forte salto no mês passado, para 3,3% anual, devido ao aumento dos preços da gasolina por causa da guerra no Oriente Médio, segundo dados oficiais divulgados nesta sexta-feira (10).
O índice de preços ao consumidor (IPC) havia registrado um aumento de 2,4% nos 12 meses encerrados em fevereiro. Entre fevereiro e março, os preços da gasolina dispararam 21,2%.
Um aumento semelhante não era observado desde 1967, destacou o serviço estatístico americano (BLS). A inflação subjacente, que exclui os preços voláteis da energia e dos alimentos, teve um leve aumento para 2,6% em 12 meses, frente aos +2,5% de um mês antes. Os mercados esperavam números desse tipo, segundo o consenso publicado pela MarketWatch.
Conflito impacta mercado de petróleo
A guerra no Oriente Médio começou em 28 de fevereiro com bombardeios israelenses-americanos contra o Irã. Teerã respondeu, em particular, bloqueando o tráfego marítimo no Estreito de Ormuz, por onde costuma transitar 20% do petróleo e do gás consumidos no mundo.
Embora seja o maior produtor mundial de petróleo, os Estados Unidos não ficaram imunes à disparada dos preços da energia e os valores nos postos subiram rapidamente. Um galão (3,78 litros) de gasolina comum custa atualmente, em média, 4,15 dólares (R$ 21,42) nos Estados Unidos, frente a cerca de 3 dólares (R$ 15,49) imediatamente antes da guerra.
O governo do presidente Donald Trump, eleito em particular com a promessa de melhorar o poder aquisitivo da população, assegura que as perturbações econômicas no País serão temporárias.
- Guerra dos EUA contra o Irã entra na 3ª semana com preço do petróleo perto de US$ 105
- Petróleo sobe, Bolsas caem com incerteza no Oriente Médio
Economistas preveem impacto duradouro
"A guerra no Irã tem repercussões econômicas evidentes que pesam fortemente sobre os lares de renda média e baixa", comentou nesta sexta-feira Heather Long, economista do banco Navy Federal Credit Union.
"O aumento dos preços da gasolina, do diesel e das passagens aéreas já se faz sentir e está colocando os lares americanos à prova", continuou. "E isso não é mais que o início", prevê Long, que projeta uma alta dos custos de alimentação e transporte em abril.
Quando Donald Trump voltou à Casa Branca, em janeiro de 2025, a inflação seguia a moderação iniciada durante o mandato anterior, de Joe Biden, em comparação com o pico alcançado na primavera (hemisfério norte) de 2022. Naquele momento, a guerra na Ucrânia, iniciada alguns meses antes, havia levado os preços nos postos de combustíveis a um nível ainda mais alto do que o atual.
O índice IPC (CPI, em inglês) subia modestamente 2,3% nos 12 meses encerrados em abril de 2025, período que coincide com o anúncio do presidente americano de uma forte elevação das tarifas sobre os produtos importados. A inflação então voltou a seguir uma trajetória de alta, mas o governo se recusou a admitir que isso era consequência dessas sobretaxas aduaneiras.
O aumento dos preços voltou a ficar moderado no fim do ano passado, em grande parte graças aos preços da gasolina, então relativamente baixos.
Federal Reserve e a meta de inflação
Na última reunião do Federal Reserve (Fed), em meados de março, seu presidente, Jerome Powell, explicou que a guerra poderia atrasar o momento em que a inflação estaria sob controle nos Estados Unidos.
O banco central americano mira um aumento dos preços limitado a 2%, objetivo que não volta a ser alcançado há cinco anos devido a uma sucessão de impactos na economia (pandemia de covid-19, guerra na Ucrânia, tarifas).