Economia

Intenção de consumo das famílias volta a cair em março

Decisões de consumo seguem indicando cautela depois da enchente de 2024

Maior destaque negativo em comparação ao mês anterior foi o indicador de Perspectiva de Consumo, que teve uma queda de 5,0%
Maior destaque negativo em comparação ao mês anterior foi o indicador de Perspectiva de Consumo, que teve uma queda de 5,0% Foto : Pedro Piegas

Segundo uma pesquisa realizada pela CNC, a intenção de Consumo das Famílias Gaúchas (ICF-RS), caiu 1,4% em março, ficando em 59,5 pontos. O resultado foi 7,2% inferior a março de 2024. A queda na margem vem depois de uma alta de 2,1% em fevereiro.

O ICF e seus componentes variam de 0 a 200 pontos. Resultados abaixo de 100 pontos denotam uma opinião média pessimista, que é mais intensa quanto mais próximo de zero se encontra o indicador.

O presidente da Fecomércio-RS, Carlos Bohn, explica que o comportamento dos consumidores segue cuidadoso depois da enchente. “Mesmo com sinais da resiliência do varejo no início do ano e uma recuperação importante do mercado de trabalho depois da tragédia, a percepção das famílias sobre os aspectos base para suas decisões de consumo seguem indicando muita cautela.” Ele ainda pondera que o esforço de venda deve ser maior ao longo do ano e que será difícil ter uma reação mais forte de confiança, devido a inflação pressionada e o crédito que ficará mais caro.

Esta edição do levantamento também indicou que cinco das sete componentes do índice apresentaram queda na margem. Os únicos dois índices sem quedas foram Consumo Atual (56,1 pontos; +1,3%) e Acesso a Crédito (84,9 pontos; +1,5%).

O maior destaque negativo em comparação ao mês anterior foi o indicador de Perspectiva de Consumo, que teve uma queda de 5,0% e ficou em 77,5 pontos, anulando os ganhos dos últimos dois meses. Sem reação da confiança na ponta, o ICF-RS se mantém aquém do patamar de um ano atrás.

Nessa perspectiva, as maiores contribuições negativas vêm de Situação do Emprego (78,6 pontos; -13,6% ante março de 2024), Momento para Duráveis (16,8 pontos; -36,7% ante março de 2024) e Perspectiva Profissional (15,0 pontos; -38,2% ante março de 2024).

Por outro lado, o destaque positivo fica na avaliação sobre a Situação de Renda, componente mais próximo da linha de neutralidade (87,7 pontos) e que se encontra 0,9% acima de março de 2024. No entanto, entre os entrevistados, menos de 10% avaliam que sua renda está melhor que no ano anterior, quase 70% consideram que está igual e cerca de 22% a sentem pior.

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