Economia

Investidor busca proteção e dólar se aproxima do R$ 1,90

Novo valor da moeda norte-americana faz reacender no mercado a luz amarela para eventual ação do BC no câmbio

A sinalização da chanceler alemã, Angela Merkel, de que a superação da crise europeia poderá durar anos, combinada ao fluxo cambial negativo para o Brasil desde outubro, acirrou, hoje, a busca de investidores por proteção, no dólar. Na esteira do tombo do euro, abaixo de 1,30 dólar pela primeira vez desde 12 de janeiro, e da descida do franco suíço ao menor valor ante o dólar em nove meses (a 0,9429 franco suíço por dólar), a moeda norte-americana, aqui, aproximou-se de R$ 1,90 durante a sessão, reacendendo no mercado a luz amarela para eventual ação do BC no câmbio, disse João Medeiros, diretor da Pionner Corretora.

A última vez que o BC vendeu dólar no mercado à vista foi em 3 de fevereiro de 2009 e o último leilão de swap cambial (em que a autoridade assume posição vendida em dólar e comprada em juro) ocorreu em 22 de setembro deste ano, informou um operador de tesouraria de um banco.

Após atingir máxima à tarde de R$ 1,8830 (+1,56%), o dólar à vista reduziu o ganho e fechou cotado a R$ 1,8740, com alta de 1,08% no balcão. A mínima, pela manhã, foi de R$ 1,8630 (+0,49%). No mês, a divisa acumula alta de 3,59% e, no ano, +12,62%. Na BM&F, o dólar pronto terminou com alta de 0,87%, a R$ 1,8751.

No mercado futuro, nesse horário, o dólar janeiro de 2012 reduzia a alta a 0,29%, cotado a R$ 1,8795, depois de saltar até R$ 1,8935 (+1,04%) na máxima e recuar pela manhã até mínima de R$ 1,8725 (-0,08%). Este vencimento girou cerca de 13,154 bilhões de dólares, de um total registrado com quatro vencimentos negociados, de 13,262 bilhões de dólares.

Há pouco, houve uma desaceleração dos ganhos do dólar, segundo operadores consultados, em reação a especulações de que o Federal Reserve poderia vir a ampliar empréstimos a juros mais baixos para bancos europeus. Os comentários refletem expectativas dos investidores sobre a fala hoje do presidente do Fed, Ben Bernanke, à bancada republicana no Senado sobre o impacto da crise da dívida na zona do euro sobre a economia dos Estados Unidos em meio a controvérsias em torno de um programa por meio do qual a autoridade monetária dos EUA empresta dólares a juro baixo para dar liquidez a bancos na Europa.

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