Economia

Investidores fogem do risco e Bovespa cai 4,83%

Após alta do dólar, que fechou a R$ 1,90, pregão atinge maior baixa desde 8 de agosto

Os bons fundamentos da economia doméstica de nada serviram, nesta quinta-feira, para conter o ímpeto de vendas no mercado de ações doméstico. A aversão ao risco que predominou no mercado global também desembarcou aqui e a Bovespa desabou, recuando dos 55 mil pontos para o nível de 53 mil, sem nenhuma ação no azul e percentual de baixa de 4,83%.

Foi a maior retração percentual desde o tombo de 8,08%, no dia 8 de agosto. "Em dias como hoje, os fundamentos econômicos são deixados de lado e as pessoas são movidas pela irracionalidade. Quando as condições normais de temperatura e pressão voltarem ao normal, os fundamentos voltam a vingar", avaliou o analista da XP Investimentos Rossano Oltramari para justificar o fato de a bolsa brasileira ter sido tão penalizada embora a economia do País caminhe a passos firmes.

O mau humor do mercado começou na quarta, depois que o Federal Reserve (Fed) anunciou a esperada operação Twist, mas chamou atenção para as condições sombrias da economia americana. O Dow Jones terminou o pregão com baixa de 3,51%, aos 10.733,83 pontos, o S&P recuou 3,19%, aos 1.129,56 pontos, e o Nasdaq perdeu 3,25%, aos 2.455,67 pontos.

Os investidores também se balizaram pelos números ruins da China e da Europa sobre atividade industrial para correrem para ativos menos arriscados, como o dólar. Na Europa, o índice FTSE 100 da Bolsa de Londres caiu 4,67%, a bolsa de Frankfurt fechou em baixa de 4,96%, a Bolsa de Milão despencou 4,52%, a Bolsa de Paris recuou 5,25%, a bolsa de Madri teve retração de 4,62% e o índice PSI 20, da Bolsa de Lisboa, fechou com desvalorização de 5,22%.

A queda do PMI da China impactou o preço das commodities e, em outra frente, também serviu de gatilho para as vendas das ações de empresas de matérias-primas no Brasil. A Vale, que nos últimos dias vinha subindo beneficiada pela alta do dólar, fechou com baixa de 5,30% na ON e de 4,30% na PNA. A Petrobras ON caiu 5,64% e a PN, 5,33%.

Mesmo com intervenção do Banco Central (BC) para conter a alta, a moeda americana subiu no fim desta quinta e fechou cotada a R$ 1,90. A divisa cresceu 2,26% em relação a quarta. O dólar abriu em forte alta de 5,8%. Com isso, o Banco Central anunciou o leilão de swap cambial e a moeda dos Estados Unidos perdeu fôlego. Na mínima, o dólar balcão desceu a R$ 1,8450.

A notícia foi bem recebida pelo mercado, que vinha há dias forçando a cotação da moeda para cima na tentativa de trazer a autoridade monetária de volta à arena. Mas a atuação do BC pela manhã não foi suficiente para conter a escalada. Segundo operadores, a tendência da moeda americana continua sendo de valorização devido à onda de aversão ao risco que está varrendo o mundo. Apenas neste semana, o dólar balcão acumulou ganho de 10,40%. No mês, a valorização chega a 19,82%, e no ano, a 14,78%.

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