Economia

IPC-Fipe surpreende em dezembro e economistas elevam projeção para IPCA

Expectativa é de que a inflação oficial encerre 2011 com elevação de até 0,56%

A forte taxa registrada pelo Índice de Preços ao Consumidor (IPC) da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) em dezembro surpreendeu os economistas do mercado financeiro. Depois de conhecerem o resultado da inflação paulistana nesta quarta-feira, alguns analistas encaminharam à Agência Estado revisões para cima nas estimativas que já haviam passado ao AE Projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de dezembro.

Na madrugada desta quarta-feira, a Fipe divulgou que o IPC de dezembro apresentou taxa de 0,61% no mês passado ante o número de 0,60% em novembro. O índice mensal ficou acima das previsões dos analistas ouvidos pelo AE Projeções, que iam de 0,41% a 0,55%, com mediana de 0,48%, e da própria Fipe, que aguardava taxa de 0,53%.

O IPC também acelerou ligeiramente na terceira quadrissemana de dezembro, quando ficou em 0,59% ante taxa de 0,49% da segunda leitura do mês. As estimativas dos analistas para esse período iam de 0,46% a 0,52%, com mediana de 0,48%. A previsão da Fipe era de alta de 0,52%.

O quadro de surpresas também foi visto na taxa acumulada de 2011. O IPC acumulou alta de 5,81% no ano passado ante taxa de 6,40% em 2010. As estimativas dos economistas eram de uma taxa de 5,50% a 5,73%, com mediana de 5,66%. No caso da Fipe, que trabalhava com projeção de 5,80%, o resultado veio muito próximo.

Para o economista Pedro Ramos, do Banco Sicredi, a surpresa na medição da inflação na capital paulista ficou por conta dos preços mais elevados dos alimentos e da continuidade de alta de grupos cuja expectativa era de arrefecimento. "Embora nessa época do ano se espere aumento de Alimentação, veio muito forte. Além disso, acreditávamos que alguns grupos apresentariam desaceleração, mas acabaram subindo de forma significativa, caso de Despesas Pessoais (+1,25%)", avaliou.

O economista do Banco Sicredi lembra que outros IPCs já haviam indicado a possibilidade de a inflação oficial terminar dezembro com variação positiva acima de 0,50%. "O sinal alerta já fora observado no IPC-S (Índice de Preços ao Consumidor Semanal) da terceira semana", afirmou, referindo-se à aceleração do IPC-S na terceira quadrissemana de dezembro, de 0,63% para 0,72%.

Depois dos números da Fipe, Pedro Ramos alterou sua estimativa para o IPCA de dezembro para 0,55%, contra 0,53% anteriormente. "Levamos em conta os modelos semanais. São ajustes finos, mas que devem ser levados em conta", comentou.

Na Gradual Investimentos, o economista-chefe, André Perfeito, elevou a projeção para o IPCA de dezembro depois da surpresa com o indicador paulistano de inflação do mesmo período. "Levando em conta os últimos dados da Fipe, revisamos para cima nossa projeção de IPCA, de 0,53%, em dezembro, para 0,55%", escreveu em nota encaminhada a clientes e à imprensa. "O índice mensal (da Fipe) de dezembro ficou em 0,61%, valor este mais alto que o verificado em dezembro de 2010 quando atingiu 0,54%. Os preços de alimentos vêm subindo ao longo do mês e fecham o período com 1,44% de alta. O índice de dezembro último não é o mais alto da série recente, o que traz certo alívio, mas situou-se acima das nossas estimativas e das do mercado também", avaliou.

Para o Banco ABC Brasil, o indicador deve encerrar dezembro em 0,56%, contra estimativa anterior de 0,55%. "O IPC-Fipe veio muito forte", sentenciou o economista Felipe França.

Já o economista-chefe do Besi Brasil, Jankiel Santos, preferiu manter sua projeção para o IPCA em 0,55%. Ressaltou, entretanto, que não descarta um viés de alta mais expressiva para o indicador do IBGE. "Portanto, se vier uma taxa acima da que estamos esperando, não será nenhuma surpresa", disse, acrescentando que a alta de 1,44% no Grupo Alimentação no IPC-Fipe ficou bem acima da variação positiva de 0,70% prevista pelo banco.

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