O Conselho Superior do Ministério Público Federal (MPF), presidido pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, aprovou na manhã desta terça a criação de uma força-tarefa para atuar na apuração da Operação Zelotes. O grupo será coordenado pelo procurador da República Frederico Paiva, um dos responsáveis pela operação que investiga desvios nos recursos da Receita através de suposto esquema de corrupção do Conselho de Recursos Administrativos Fiscais (Carf).
Paiva solicitou ao procurador-geral da República o auxílio de um grupo de procuradores diante do grande volume de informações e provas a serem colhidas no caso. A investigação abrange julgamentos no "tribunal da Receita" da ordem de R$ 19 bilhões.
Os trabalhos de investigação serão reforçados com a criação da força-tarefa que contará com mais três procuradores da República. Fazem parte do grupo coordenado por Frederico Paiva os procuradores José Alfredo de Paula Silva e Raquel Branquinho, os dois da Procuradoria Regional da República da 1ª Região, e Rodrigo Leite Prado, da Procuradoria da República em Minas Gerais.
O uso de uma força-tarefa para apurar grandes esquemas investigados pelo MPF e pela Polícia Federal acontece, por exemplo, na Operação Lava Jato, que reúne no Paraná nove procuradores. Os integrantes do grupo que investiga o caso do esquema envolvendo contratos da Petrobras trabalham desde abril do ano passado no caso.
A operação
Os casos apurados na Zelotes foram relatados no Carf entre 2005 e 2015. A força-tarefa ainda está na fase de investigação dos fatos. A operação apura suposto pagamento de propina a conselheiros do Carf, em troca de extinção ou redução dos débitos com a Receita. A lista das empresas pode diminuir ou aumentar. Isso não significa uma condenação antecipada. A Camargo Corrêa é suspeita de aderir ao esquema para cancelar ou reduzir débitos fiscais de R$ 668 milhões. Também estão sendo investigados débitos do Banco Pactual e da BR Foods.
Processos com mais indícios, segundo a Folha São Paulo
EMPRESAS - VALORES (em R$)
Banco Santander - 3,34 bilhões
Bradesco - 2,75 bilhões
Ford - 1,78 bilhão
Gerdau - 1,22 bilhão
Boston Negócios - 841,26 milhões
Safra - 767,56 milhões
RBS - 671,52 milhões
MMC - Mitsubishi - 505,33 milhões
Cimento Penha - 109,16 milhões
Café Irmãos Júlio - 67,99 milhões
JG Rodrigues - 49,41 milhões
Mundial - Zivi Cutelaria - Hércules - Eberle - -
OUTROS PROCESSOS INVESTIGADOS
Banco Santander 2 - 3,34 bilhões
Huawei - 733,18 milhões
Camargo Correa - 668,77 milhões
Carlos Alberto Mansur - 436,84 milhões
Copesul - 405,69 milhões
Liderprime - 280,433 milhões
Avipal/Granoleo - 272,28 milhões
Marcopolo - 261,19 milhões
Banco Brascan - 220,80 milhões
Pandurata - 162,71 milhões
Coimex/MMC - 131,45 milhões
Via Dragados - 126,53 milhões
Newton Cardoso - 106,93 milhões
Bank Boston banco múltiplo - 106,51 milhões
Copersucar - 62,10 milhões
Petrobras - 53,21 milhões
Evora - 48,46 milhões
Boston Comercial e Participações LTDA - 43,61 milhões
Boston Admin. e Empreendimentos - 37,46 milhões
Firist - 31,11 milhões
Vicinvest - 22,41 milhões
James Marcos de Oliveira - 16,58 milhões
Mário Augusto Frering - 13,55 milhões
Embraer - 12,07 milhões
Dispet - 10,94 milhões
Partido Progressista - 10,74 milhões
Viação Vale do Ribeira - 10,63 milhões
Nardini Agroindustrial - 9,64 milhões
Eldorado - 9,36 milhões
Carmona - 9,13 milhões
CF Prestadora de Serviços - 9,09 milhões
Via Concessões - 3,72 milhões
Leão e Leão - 3,69 milhões
Copersucar 2 - 2,63 milhões
Construtora Celi - 2,35 milhões
Nicea Canário da Silva - 1,89 mil
Banco UBS Pactual SA - -
Bradesco Saúde - -
BRF - -
BRF Eleva - -
Caenge - -
Cerces - -
Cervejaria Petrópolis - -
CMT Engenharia - -
Dama Participações - -
Dascam - -
Frigo - -
Hidroservice - -
Holdenn - -
Irmãos Júlio - -
Kanebo Silk - -
Light - -
Mineração Rio Novo - -
Nacional Gás butano - -
Nova Empreendimentos - -
Ometo - -
Refrescos Bandeirantes - -
Sudestefarma/Comprofar - -
TIM - -
Tov - -
Urubupungá - -
WEG - -
TOTAL - 19,77 bilhões
Janot aprova criação de força-tarefa para investigar Operação Zelotes
Grupo investiga desvios nos recursos da Receita através de suposto esquema de corrupção do Carf