Jogo do Brasil na Copa reduz em 10% o consumo de energia no país 1h40 antes da partida começar

Jogo do Brasil na Copa reduz em 10% o consumo de energia no país 1h40 antes da partida começar

ONS monitora impactos no sistema de geração e transmissão de eletricidade; época da competição pode potencializar variações

R7

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O consumo de energia elétrica no Brasil teve uma redução de 7.200 MW (megawatts), o equivalente a cerca de 10% do que é utilizado em um dia típico, entre as 14h20 e os primeiros minutos do jogo de estreia da seleção brasileira na Copa do Mundo do Catar, na quinta-feira (24), segundo dados divulgados nesta sexta-feira pelo ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico).

Segundo o órgão, as Copas costumam ter impacto significativo na carga de eletricidade do SIN (Sistema Interligado Nacional), o sistema de produção e transmissão de energia elétrica do Brasil, nos dias de jogos da seleção e nas partidas da fase final da competição. Isso acontece devido ao grande número de pessoas que interrompe qualquer outra atividade para ficar em frente à TV e acompanhar o jogo.

Além dos equipamentos das residências, como máquinas de lavar roupas, aspiradores de pó e liquidificadores, entre outros eletrodomésticos, ficarem parados nesse período, setores industriais e comerciais interrompem ou diminuem sua produção ou atendimento, para permitir que os trabalhadores possam assistir ao evento.

Variações

Com isso, explica o ONS, por volta de duas horas antes do início de um jogo da equipe nacional ou de outras partidas importantes, a demanda do SIN começa a diminuir, o que perdura até o fim do primeiro tempo. No jogo de estreia, às 16h, horário de início da partida, a carga registrada era de 69.690 MW. Uma semana antes, no dia 17 de novembro, na mesma hora, o consumo de energia foi de 79.398 MW. Nesta quinta (24), a menor carga foi atingida às 16h38, de 68.052 MW, dez minutos antes do término do primeiro tempo.

A queda observada é equivalente a, aproximadamente, a soma das cargas médias dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e do Distrito Federal, que têm, juntos, cerca de 40 milhões de habitantes.

Durante o intervalo, há uma rápida elevação da carga, influenciada pela saída dos torcedores da frente da televisão, o que coincide com o acendimento de luzes e a utilização de eletrodomésticos (micro-ondas, fritadeiras elétricas, pipoqueiras e motores de geladeiras, por exemplo). No intervalo do primeiro jogo do Brasil, às 16h52, o consumo observado foi de 70.786 MW, ainda menor que em igual dia da semana anterior, de 80.288 MW na mesma hora.

Durante todo o período de pausa entre o primeiro e o segundo tempo do jogo, a carga no país chegou a subir 4%, ou 2.600 MW, o que equivale às cargas médias do Maranhão e do Distrito Federal juntos.

O reinício da partida leva a uma rápida redução da carga, motivada pelo comportamento de retorno ao acompanhamento do jogo: às 17h32, o ONS registrou carga de 67.976 MW no país. Ao final do jogo, segundo o órgão, começa uma rampa abrupta de elevação de carga, que pode corresponder a cerca de 13 a 16% da carga do SIN, em um intervalo de 20 a 30 minutos, com a retomada das atividades após a partida.

Uma hora após o encerramento da partida de quinta-feira, a carga subiu 13%, ou 9.600 MW, o que corresponde à soma da carga média de Goiás e Minas Gerais, que juntos totalizam 13% da população brasileira.

Nesta quinta, às 15h02, ocorreu um desligamento automático de linhas de transmissão no Amapá, interrompendo 272 MW de cargas na região metropolitana da capital Macapá. Segundo a Energisa, que opera as linhas, a interrupção foi provocada por uma descarga atmosférica. O serviço começou a ser normalizado às 15h26, e foi totalmente concluído às 16h12. 

Como a Copa do Mundo do Catar é realizada em novembro e dezembro, período com temperaturas altas em todo o território brasileiro, as variações da carga de energia podem ser ainda mais severas do que em outros mundiais. O ONS afirma que suas equipes estão preparadas para garantir que as intensas rampas de carga previstas sejam acompanhadas adequadamente, de forma a garantir o menor impacto possível na qualidade e na segurança do suprimento de energia elétrica no SIN.


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