Economia

Juiz ordena liberação sob fiança de Strauss-Kahn

Ex-diretor do FMI permanecerá sob prisão domiciliar em um apartamento em Nova Iorque

Repórteres aguardam a saída de ex-diretor do FMI após juiz ordenar a liberação sob fiança
Repórteres aguardam a saída de ex-diretor do FMI após juiz ordenar a liberação sob fiança Foto : Michael Nagle / Getty Images / AFP
Um juiz ordenou nesta sexta-feira à tarde a liberação com pagamento de fiança do ex-diretor do Fundo Monetário Internacional (FMI) Dominique Strauss-Kahn. Indiciado por crimes sexuais, ele permanecerá sob prisão domiciliar em um apartamento em Nova Iorque.

Nesta sexta, o FMI repudiou as informações divulgadas em reportagem do jornal The New York Times, que alega que o assédio sexual e as relações extraconjugais são corriqueiros nos corredores da instituição. "Este não é o Fundo que conhecemos e no qual trabalhamos", disse o porta-voz do FMI, William Murray. A manchete da primeira página do jornal americano estampou hoje: 'No FMI, homens à espreita e mulheres, vigilantes'.

A reportagem foi publicada depois que Dominique Strauss-Kahn foi detido no sábado, acusado de tentativa de estupro e agressão sexual contra uma camareira do hotel de Nova York onde o alto executivo estava hospedado. Ele nega as acusações.

O jornal mencionou uma cultura de "machos alfa economistas", que assediam livremente as mulheres, enquanto elas "evitam usar saias por medo de chamar uma atenção não desejada". Disse, ainda, que o Fundo era "uma instituição cujas normas e hábitos sexuais são notoriamente diferentes dos de Washington, deixando suas funcionárias femininas vulneráveis ao assédio".

Referindo-se a esta imagem de um dos pilares do sistema financeiro mundial, Murray foi evasivo: "Este é um lugar perfeito? Não", disse, em comunicado. "Mas a reportagem dá a impressão de desrespeito e assédio institucionalizados e este não é o caso. O assédio não é tolerado na instituição", acrescentou.

O FMI publicou um novo código oficial de conduta esta quinta-feira, antes da divulgação do artigo, no qual reforçou suas regras a respeito das relações pessoais em suas instalações. Segundo o documento, "uma estreita relação pessoal entre o supervisor e o subordinado apresenta um possível conflito de interesses e deve ser reportado e resolvido, no geral mediante a recolocação de um dos indivíduos em uma área de trabalho diferente".

"Não informar e depois resolver o possível conflito de interesses constitui uma falta e é motivo de medida disciplinar", sustentou Murray.


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