"Não se pode confundir velocidade e precipitação. Nós precisamos dar garantias aos consumidores europeus, ligadas ao aspecto sanitário, para garantir que os produtos estejam dentro dos padrões da UE", explica o secretário francês de Comércio Exterior, Jean-Baptiste Lemoyne. Por ora, diz ele diplomaticamente, "as propostas ainda não encontraram eco suficiente".
Preocupações dos agricultores europeus
A Argentina, onde acontece a 11ª Conferência da OMC e será realizado o G20 em 2018, pressiona para anunciar o acordo ao fim desta reunião, nesta quarta-feira. Os quatro presidentes de países do Mercosul estão e Buenos Aires.
Antes da reunião, o ministro argentino das Relações Exteriores, Jorge Faurie, declarou-se "entusiasmado, porque nós estamos perto de um acordo". O presidente Michel Temer constatou "avanços significativos nas últimas semanas", que permitem chegar a um acordo, pelo menos político, até 21 de dezembro, na próxima cúpula do Mercosul em Brasília.
"Para nós, o processo não chegou ao fim. Eu não creio que possamos alcançar um acordo em Buenos Aires. Ainda temos trabalho à frente", disse nesta segunda-feira o chefe da delegação francesa em Buenos Aires. A comissária europeia do Comércio, Cecilia Malmström. indicou nesta manhã que as negociações comerciais da UE com o Mercosul podem se estender até o começo do ano que vem. O bloco almeja criar cotas para a carne bovina e para o etanol. Os sul-americanos - Brasil, sobretudo - gostariam de exportar 100 mil toneladas de carne por ano para a Europa, enquanto Bruxelas abre as portas para apenas 70 mil toneladas, de acordo com uma fonte próxima às negociações.
No caso do etanol, a UE teria aceitado 600 mil toneladas, e 100 mil de açúcar. Preocupados com a concorrência sul-americana, os agricultores europeus estão pressionando o bloco. "Nessas negociações, o setor agrícola, seus empregos, seus produtos merecem algo melhor do que serem considerados a variável de ajuste de acordos comerciais de outros setores industriais", diz o principal sindicato agrícola francês, a FNSEA. Na América do Sul, os produtores industriais que têm custos de produção elevados, como dos setores têxtil e automotivo, temem a entrada de produtos europeus no mercado. O Mercosul também abriria mercados públicos para empresas europeias. Um acordo de compromisso pode resultar em uma abertura gradual dos mercados. Os negociadores não terão, porém, a última palavra. Os parlamentos de cada país da UE terão de aprovar o acordo para que seja ratificado.