Economia

Justiça alemã abre investigação sobre motores adulterados da Volkswagen

Empresa admitiu carros com software de manipulação de dados de emissões de poluentes

Justiça alemã abre investigação sobre motores adulterados da Volkswagen
Justiça alemã abre investigação sobre motores adulterados da Volkswagen Foto : Odd Andersen / AFP / CP
A justiça alemã abriu uma investigação preliminar ligada às acusações de manipulação das emissões de veículos a diesel da marca Volkswagen, indica um comunicado na promotoria de Brunswick (norte).

Em um primeiro momento, serão recolhidas e examinadas todas as informações e estudadas todas as denúncias apresentadas. A Volkswagen admitiu nessa terça-feira ter equipado 11 milhões de carros em todo o mundo com um software de manipulação de dados de emissões de poluentes.

Desta maneira, em dois dias, a desvalorização dos papéis da maior montadora do mundo chegou a 35% em relação a sexta-feira, quando estourou o escândalo.

O caso foi descoberto nos Estados Unidos, que na terça também anunciou a abertura de uma investigação penal.
Os softwares fraudulentos detectados em modelos das marcas VW e Audi nos Estados Unidos podem estar presentes em outras filiais, que conta com marcas como Seat, Skoda e Porsche.

A Volkswagen anunciou também que gastará 6,5 bilhões de euros no terceiro trimestre do ano para enfrentar as primeiras consequências do caso. Isso levará a empresa a ajustar suas metas de lucro para 2015. O presidente da montadora alemã Volkswagen, Martin Winterkorn, "sentir muito pela falta cometida pelo grupo".

Segundo o jornal Handelsblatt, Winterkorn terá que prestar contas do caso em uma reunião de uma parte do Conselho de Vigilância prevista para esta quarta-feira. A princípio, nesta sexta-feira, a Volkswagen prolongará o mandato de Winterkorn até o final de 2018, mas analistas questionam se essa decisão será mantida após o escândalo.

A chefe de Governo da Alemanha, Angela Merkel, exigiu "transparência total" para esclarecer o caso que compromete a credibilidade de uma empresa identificada com a excelência da indústria alemã. A espiral do escândalo ultrapassou fronteiras. Além dos Estados Unidos, Itália e França anunciaram a abertura de investigações, enquanto as autoridades sul-coreanas convocaram diretores do grupo para exigir explicações.

As autoridades americanas revelaram na última sexta-feira que 482 mil veículos das marcas Volkswagen e Audi, fabricados entre 2009 e 2015 e vendido nos EUA foram equipados com um software que detectava automaticamente os controles de contaminação com o objetivo de fraudar os resultados. A Volkswagen suspendeu desde então a venda de carros a diesel no mercado norte-americano.

A companhia, que conta com 590 mil funcionários em todo o mundo, pode ser condenada a uma multa de até 18 bilhões de dólares. A esse valor somam-se os custos da retirada desses veículos do mercado e as indenizações por eventuais processos públicos e privados.

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