O cumprimento do acordo se viu em perigo com o anúncio do premier grego, George Papandreou, que o submeterá a um referendo. Até agora, o líder opositor havia manifestado sua recusa veemente aos planos de resgate negociados pelo governo socialista grego com seus creedores, a UE, o Fundo Monetário Internacional e o Banco Central Europeu. Seu argumento era que os planos de ajuste impostos em troca agravavam a recessão.
Perda de apoio
O ministro das Finanças grego, Evangelos Venizelos, disse ser contra o polêmico plano do primeiro-ministro de realizar um referendo para decidir se o país deve continuar a fazer parte da zona do euro. "O lugar da Grécia no euro é uma conquista histórica do povo grego que não pode ser colocada em questão", afirmou Venizelos em um comunicado, depois de voltar da reunião G-20, em Cannes. "Isso não pode ser colocado na dependência de um referendo."
O comunicado representa mais um golpe para Papandreou, que enfrenta uma crescente revolta dentro do Partido Socialista por causa da proposta de referendo e será submetido na sexta-feira a um voto de confiança no Parlamento. O combalido premiê surpreendeu seus próprios parlamentares nesta semana com a inesperada convocação de um referendo sobre o último pacote de ajuda ao país, de € 130 bilhões, acordado por líderes europeus em Bruxelas na semana passada.
Reunião de emergência
Papandreou convocou reunião emergencial de gabinete a partir das 8h (de Brasília), depois de vários parlamentares do governista Partido Socialista (Pasok) demonstrarem que não apoiarão o premiê no voto de confiança programado para esta sexta-feira. O Pasok tem agora uma maioria de apenas um assento no Parlamento grego, após Eva Kaili, membro do partido do governo no Parlamento, afirmar que não apoiará Papandreou na votação de amanhã.
"Eu peço que o seu governo, mesmo em um último momento, proteja o acordo fechado na semana passada desistindo da sua decisão de fazer um referendo", disse Kaili em uma carta enviada a Papandreou. "Eu não renunciarei ao meu assento no Parlamento, mas na votação de sexta-feira não darei um voto de confiança ao governo", acrescentou.
Mais cedo, uma rádio grega afirmou que Elena Panaritis, que também é membro do Pasok no Parlamento, não apoiará Papandreou. Panaritis teria dito que não está preparada para apoiar qualquer movimento que coloque em risco a presença da Grécia na zona do euro.