O diretor-geral da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), Romeu Rufino, disse nesta terça-feira, que o leilão de transmissão marcado para o dia 2 de setembro será adiado. Segundo ele, a nova data da licitação ainda não foi marcada, mas deve ser definida nos próximos dias. "A data do leilão não era muito feliz, coincide com o processo de votação no Senado (do impeachment) e tem todo um ambiente político e institucional que poderia contaminar o resultado", afirmou.
Segundo Rufino, a decisão foi tomada em conjunto pela agência e pelo Ministério de Minas e Energia. O diretor-geral garantiu que há interesse dos investidores no setor e afirmou que alguns pediram mais tempo para analisar cada lote. "Temos recebido muitos investidores interessados e talvez, com uma nova data, possamos ter mais competição e condição de vender todos os lotes. Nosso interesse é viabilizar o máximo de participação", disse.
Rufino ressaltou que a análise dos investimentos em transmissão envolve também questões fundiárias e ambientais. "Não é uma coisa simples, é uma avaliação que deve ser pormenorizada", afirmou. Segundo ele, o interesse dos investidores no mercado de transmissão tem crescido recentemente. "Mais agentes interessados certamente reflete uma melhoria no ambiente de negócios."
Casos diferentes
Para Rufino, o adiamento do leilão de transmissão é diferente do caso da licitação da distribuidora Celg, cancelada por falta de interessados na semana passada. "São situações bem distintas. O mercado colocou que o preço mínimo era um parâmetro relevante e não estava bem calibrado", afirmou ele em referência à distribuidora goiana. De acordo com o diretor-geral, as recentes movimentações no setor mostram que o segmento de distribuição também é atrativo para os investidores.
Rufino disse que ainda não foi decidido se a receita teto dos empreendimentos será modificada, nem se alguns lotes serão retirados da licitação. Se a remuneração dos investidores for alterada, o leilão levará mais tempo para ser remarcado. Em relação aos lotes, a agência e o Ministério de Minas e Energia vão avaliar quais são essenciais e devem ser mantidos, em razão da necessidade de escoamento de energia.
Leilão de transmissão marcado para setembro será adiado, diz Aneel
Evento ocorreria no mesmo dia da votação do impeachment no Senado