Economia

Leilão na Espanha ajuda a derrubar bolsas na Europa

Há risco de piora na crise das dívidas soberanas na zona do euro

Os principais índices das bolsas europeias fecharam em queda nesta quinta-feira diante do risco de piora na crise das dívidas soberanas na zona do euro, após os yields (retornos ao investidor) dos bônus do governo da Espanha atingirem as máximas da era do euro. O índice pan-europeu Stoxx 600 fechou em baixa de 1,35%, ou 3,19 pontos, em 233,85 pontos.

A Voestalpine teve a maior perda entre as ações que formam o Stoxx 600. As ações da companhia caíram mais de 9%, após o grupo austríaco de aços planos informar que espera uma difícil segunda metade do ano e que seus resultados em 2011 serão "um pouco mais fracos" do que no ano anterior. Na Alemanha, as ações da fabricante de aço ThyssenKrupp registrou desvalorização de 5,9%.

Entre as ganhadoras, as ações da Amlin avançaram 5%. A seguradora informou que seus prêmios emitidos nos primeiros dez meses do ano subiram 7,1% e a perspectiva está melhorando. Na Bolsa de Frankfurt, o índice DAX fechou em queda de 1,07%, para 5.850,17 pontos, enquanto o índice CAC-40, da Bolsa de Paris, recuou 1,58%, em 3.010,29 pontos.

O humor piorou hoje após o Tesouro da Espanha anunciar que vendeu 3,6 bilhões de papéis de dez anos, mas com o mais alto yield já pago pelo país desde o início do euro. Os custos de empréstimos da França também subiram, quando o governo vendeu 6,98 bilhões de euros de bônus de prazo médio.

A estrategista de mercado da BG Partners, Louise Cooper, listou o aumento nos custos para empréstimos da França, Espanha e Itália. "O furacão está se aproximando", advertiu. Os bancos na Europa tiveram a maior parte das perdas, com KBC recuando 8,2%, Lloyds Banking perdendo 4,6%, Commerzbank caindo 4,3% e Crédit Agricole fechando em -4,7%.

A agência Fitch afirmou, ontem, que o panorama de crédito para os bancos dos Estados Unidos poderia piorar, a menos que a crise da dívida na zona do euro seja resolvida "de maneira regrada e ordeira".

Na Itália, o índice FTSE MIB perdeu 1,43%, para 15.198,31 pontos. A Fitch advertiu hoje que se os yields dos bônus da Itália ficarem no mesmo patamar de alta isso "deixaria a dívida pública do país em um caminho insustentável". A agência de rating notou que é fundamental para a Itália manter acesso ao mercado.

As ações do setor de matérias-primas também pesaram para baixo, com os preços das commodities em queda. As petrolíferas BP e Total foram afetadas, com perdas de 1,9% e 0,7%, respectivamente. Em Londres, o índice FTSE 100 caiu 1,56%, fechando em 5.423,14 pontos, com as mineradoras Xstrata caindo 3,9% e a de prata Fresnillo perdendo 5,9%.

Na Bolsa de Madri o índice Ibex 35 teve recuo de 0,40%, fechando em 8.270,60 pontos. As ações de CaixaBank, Inditex e Iberdrola tiveram alta de 1,78%, 0,7% e 0,6%, respectivamente. Entre as mais negociadas na Espanha, Telefónica fechou estável, enquanto Santander e Repsol perderam 1,4% e 1%, respectivamente. Já na Bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 teve recuo de 0,81%, em 5.440,68 pontos. As informações são da Dow Jones.

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