Economia

Levy não descarta medidas para cumprimento da meta fiscal de 2015

Ministro da Fazenda disse que governo quer ter patamar de gastos de 2013

Levy presta depoimento na na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado
Levy presta depoimento na na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado Foto : Marcelo Camargo/Agência Brasil/CP
O ministro da Fazenda, Joaquim Levy, acenou nesta terça com novas medidas para alcançar o cumprimento da meta fiscal deste ano. "Estamos olhando a arrecadação e estamos prontos para tomar medidas que se mostrem necessárias para evitar qualquer risco que a arrecadação não comporte o cumprimento da meta", afirmou. A meta para este ano é de R$ 66,3 bilhões.

Segundo o ministro, o governo está trabalhando para diminuir o alívio tributário. "Estamos fazendo esforço para reduzir medidas de alívio tributário", disse em depoimento na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado. Ele ponderou que o Brasil foi o único País que reduziu tributos nos últimos anos. Levy ressaltou ainda que o governo não criou mais impostos. "Estamos diminuindo a intensidade de algumas ações de renúncia", disse. Ele citou a recomposição parcial da Cide sobre combustíveis como um dos exemplos.

Sobre os gastos do governo, o ministro disse que o objetivo é atingir o patamar de 2013. "É importante ver o lado do gasto. É extremamente importante", afirmou. Ressaltou ser importante garantir que a dívida pública tenha trajetória de queda para manter o País em "boa companhia". Joaquim Levy participa na manhã de hoje de audiência na Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Para Levy, o Brasil pode perder o grau de investimento dado pelas agências de classificação de risco caso o ajuste fiscal não seja feito. O ministro apontou que a dívida brasileira ainda é bastante elevada (em relação ao Produto Interno Bruto) para um rating não tão alto. "Se não fizermos ajuste, ainda existe risco de perder o grau de investimento. O custo será altíssimo para o governo, para as empresas e para o trabalhador", afirmou.

O ministro lembrou que muitos investidores não podem aplicar em países que não têm grau de investimento e que isso teria grande impacto na economia real. "Para preservação do emprego, temos de botar a dívida pública em uma trajetória sustentável, que nos traga para a esquerda (do gráfico apresentado aos senadores). Sempre movendo para a esquerda, né presidente", disse, em tom de brincadeira.

Na audiência, Levy falou aos senadores sobre ciclos econômicos e a diferença entre a crise de 2008 e as anteriores. Disse que, naquele ano, a crise encontrou o governo brasileiro em boas condições, mas que as ações anticíclicas era uma situação temporária. "É chegado o momento de nós revertermos nossas medidas anticíclicas", declarou.

Ele ponderou que o fim do ciclo de preços altos das commodities significa "um vento um pouco contra" na economia brasileira e que é preciso readaptá-la à nova realidade. "Na medida em que os elementos anticíclicos são tirados, notadamente da china, os preços das commodities continuará caindo", completou.

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