Economia

Maioria dos brasileiros recorreu a "bicos" para complementar renda

Pesquisa aponta que 64% dos cidadãos fizeram algum trabalho extra no primeiro semestre de 2018

Cinco em cada 10 consumidores enxergam uma piora na economia brasileira
Cinco em cada 10 consumidores enxergam uma piora na economia brasileira Foto : Samuel Maciel / CP Memória
Uma pesquisa realizada pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) concluiu que 64% dos brasileiros realizaram algum trabalho extra para complementar a renda no primeiro semestre de 2018. As informações foram divulgadas nesta segunda-feira.

O estudo ainda revela que mais de 70% dos trabalhadores mais pobres (classes C, D e E) recorreram aos “bicos”. Destes, 44% afirmam que sentiram uma piora nas suas condições financeiras. Apenas 19% pensam que a situação econômica do país está melhor agora do que antes. Outro dado da pesquisa é que cinco em cada 10 consumidores enxergam uma piora na economia brasileira quando comparada ao ano passado. No primeiro semestre, 83% dos consumidores fizeram cortes para driblar crise e 77% não sentiram efeitos da melhora da economia.

Segundo a economista-chefe do SPC, Marcela Kawati, “a recuperação da economia ainda é bastante lenta e surte pouco efeito prático na realidade dos brasileiros. O momento mais crítico da crise ficou para trás, mas isso não significa que a vida das pessoas tenha melhorado substancialmente”. A renda das famílias segue achatada e o consumo melhora a passos lentos porque o desemprego segue alto e a confiança abalada.

Em sentido oposto, 23% dos entrevistados relataram sentir no próprio bolso uma melhora na situação. Nesse caso, 47% justificam sua posição dizendo que as pessoas voltaram a consumir, enquanto 36% consideram que a criação de novas vagas está aumentando.

Perspectivas

Para colocar a vida financeira em ordem, 28% dos brasileiros desejam aumentar a renda no segundo semestre fazendo algum trabalho extra. Outras estratégias são organizar as contas de casa (26%), realizar mais pagamentos à vista (25%) e cortar gastos com lazer (21%). Desse modo, 42% dos entrevistados têm a expectativa de que a vida financeira será melhor no segundo semestre do que no primeiro.

Questionados quanto ao futuro da economia, a pesquisa aponta opiniões divididas: 39% acham que a situação será melhor no segundo semestre, enquanto 29% acham que a situação continuará a mesma. Além disso, 15% acreditam que haverá uma piora nas condições econômicas. A pesquisa ouviu 886 consumidores de ambos os gêneros, com mais de 18 anos e de todas as classes sociais nas 27 capitais do país. A margem de erro é de no máximo 3,3 pontos percentuais, com taxa de confiança de 95%.

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