O coordenador de Relações Sindicais do Dieese, José Silvestre Prado de Oliveira, atribui a quantidade de horas extras ao perfil do setor. “ É um setor onde você tem muita micro e pequena empresa”, disse. Segundo ele, isso aumenta a informalidade e o modelo de gestão. “Às vezes se confunde o horário de abertura do comércio com a própria jornada de trabalho”.
Oliveira alerta, no entanto, que o excesso de carga horária é prejudicial ao trabalhador. “Jornada extensa implica em desgaste, estresse e tensão”. Além disso, lembra que se os comerciários trabalhassem menos, provavelmente haveria a abertura de novos postos de trabalho.
Os horários e dias de abertura do comércio deveriam, na opinião de Oliveira, ter critérios mais rigorosos. “Comércio não é uma atividade essencial que você tenha que trabalhar 24 horas”. E ressaltou que o funcionamento dos estabelecimentos comerciais é regido pelos municípios.
O economista da Associação Comercial de São Paulo(ACSP), Marcel Solimeo, defende que o comércio flexibiliza os horários de atendimento devido à demanda dos consumidores. Segundo ele, as horas extras são causadas por um aumento de vendas que ocorre sazonalmente no comércio. “Não é interesse do comércio trabalhar sistematicamente com hora extra porque é mais caro. Mas para poder atender ao consumidor, muitas vezes esse é o caminho”.