Economia

Manifesto defende ações estaduais e federais para o polo petroquímico do RS

Iniciativa organizada pela prefeitura de Triunfo, Cofip e Granpal alerta para o momento de crise que o setor enfrenta

Prefeitura de Triunfo,Comitê de Fomento às Indústrias do Polo Petroquímico(Cofip) e Granpal lançam manifesto em defesa ao Polo Petroquímico de Triunfo.
André Brito, pres da Granpal, Sidnei dos Anjos, diretor do Cofip e Sec de estado Ernani Polo
Prefeitura de Triunfo,Comitê de Fomento às Indústrias do Polo Petroquímico(Cofip) e Granpal lançam manifesto em defesa ao Polo Petroquímico de Triunfo. André Brito, pres da Granpal, Sidnei dos Anjos, diretor do Cofip e Sec de estado Ernani Polo Foto : Ricardo Giusti

A defesa da matriz econômica do polo petroquímico do Rio Grande do Sul e do setor petroquímico do Brasil, com atenção para o momento de crise que ele enfrenta, foi o mote de um manifesto realizado nesta terça-feira, solicitando atenção do governo estadual e federal. Iniciativa da prefeitura de Triunfo com apoio do Comitê de Fomento às Indústrias do Polo Petroquímico (Cofip) e da Associação dos Municípios da Região Metropolitana de Porto Alegre (Granpal), o evento foi realizado no Hotel Deville Prime. O manifesto defende adoção com urgência de ações de proteção e incentivo para garantir a sobrevivência do setor.

Entre os pedidos, está a aprovação do Projeto de Lei n° 892/2025, que instaura o programa Especial de Sustentabilidade da Indústria Química (PRESIQ); a manutenção da tarifa de 20% na importação de resinas termoplásticas e outros produtos petroquímicos para além deste ano; a aplicação de medidas antidumping para resinas de polietileno e polipropileno importadas a preços mais baixo do que os praticados em países de origem.

O manifesto organizado entre as entidades aponta que o cenário é considerado crítico, com fatores que “comprometem a sobrevivência do setor” porque, nos últimos anos, a quantidade de matérias primas estrangeiras com valor comercial inferior ao custo de produção ou preço do mercado interno – o chamado dumping – geraram impactos econômicos “sem precedentes para a indústria petroquímica brasileira, que vive hoje a pior crise da sua história”. As entidades também defendem a valorização da indústria química e que a situação pode afetar não só o município de Triunfo e a região metropolitana, mas todo o Rio Grande do Sul, por ser a quinta maior arrecadação do estado.

"O município acaba dependendo hoje de mais de 90% da arrecadação da prefeitura, e tem um efeito social e econômico positivo. Se a gente não fizer o tema de casa, será catastrófico não só para para Triunfo, para Montenegro, mas para as nossas cidades e pelo estado do Rio Grande do Sul", afirma Sidnei Anjos, diretor administrativo do Comitê de Fomento Industrial do Polo (COFIP).

Anjos afirmou que ao longo de 43 anos, o polo e a cadeia petroquímica, como o plástico e o elastômero, respondem por uma arrecadação situada entre a quarta e a quinta do Brasil, e a sexta em contradição de tributos e de empregos. Também, que só no pólo petroquímico, há 7 mil pessoas envolvidas direta e indiretamente, e outras 20 mil na cadeia à frente, sobretudo no plástico.

O excesso de produtos, sobretudo na Ásia, Estados Unidos e Canadá, acabou por ter destinação em vários países, e o Brasil, como parceiro econômico relevante, também teve entrada excessiva de produtos. "Se for olhar nos últimos dois anos, o que era normal em termos de balança comercial de importados petroquímicos e o que está hoje, configura uma situação que não é adequada", afirma. Enquanto uma planta se viabiliza com 80% para cima, índice histórico ao longo dessas quatro décadas, o estado está com cenário de 45%.

Roniel da Silva Viegas, vice-prefeito de Triunfo, afirmou que o município depende 90% do polo petroquímico, e que o polo está entre as cinco maiores receitas do Estado, e que a geração de emprego da indústria química do estado gira em torno de 27 mil. “Isso nos causa preocupação diariamente, porque baixando a produção, baixando a efetividade do polo, baixa também a receita. E o polo não pode ser só prioridade para o município de Triunfo”, diz, também defendendo que o projeto de lei deve trazer sustentabilidade e competitividade à indústria química.

“Uma arrecadação entre as cinco maiores do estado tem que ser valorizada e hoje não está acontecendo isso, principalmente do governo estadual. A gente com certeza quer o apoio do governador, para chegar em Brasília com base política, que a gente sabe que tem que ter a base política para a gente buscar uma melhor condições para a indústria química”, completa Viegas.

Também afirmou que a situação da produção ainda não afetou os empregos, mas que esse é o seu maior medo. “Por enquanto só afetou a arrecadação, mas, na hora em que começam as demissões, o quadro fica cada vez pior”, diz. Ele ressaltou a necessidade de unir forças para cobrar do governo federal, e afirmou que já foram realizadas reuniões entre empresas do polo petroquímico com Geraldo Alckmin.

O prefeito de Taquari, André Brito, representando a Granpal, lembrou do esforço conjunto para a instalação do pólo petroquímico no Rio Grande do Sul, e ressalta que a crise afeta não só o estado, mas também o Brasil. Ele lembrou que, em 2024, foram importados 1,9 milhão de toneladas de polietileno e nesse ano 908 mil, e ressaltou o risco da entrada do produto aqui no Brasil com preço inferior.

"Se nós tivermos que ir à Brasília, passar um dia visitando o gabinete por gabinete, temos que cumprir essa agenda. Nós vamos convocar também a nossa bancada gaúcha, convidá-la a participar de uma reunião conosco, porque eles têm que ser os defensores do Rio Grande do Sul no Congresso Nacional", diz Brito.

O secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Ernani Polo, afirmou que já ocorreram reuniões entre o governador e demandas foram enviados ao vice-presidente Geraldo Alckmin, reforçando a posição do governo do Estado conectada com o movimento. Também lembrou que, quando assumiu a pasta, recebeu visitas do Cofip e de empresas que atuam no ramo para a criação do Grupo de Trabalho (GT) do Polo da Química para discutir ações e articular movimentos pelo fortalecimento do setor químico e da petroquímica do Rio Grande do Sul, setor que também está nos eixos do plano de desenvolvimento econômico estruturado no ano passado e apresentado no final do ano.

“Acreditamos muito no potencial que o setor químico já fez, faz e poderá fazer no futuro. Hoje, todos nós, em algum momento do dia, dependemos de alguma coisa que é produzida pelo pelo setor e pelo petroquímico”, disse. Quando foi feita a instalação do polo tecnológico, foi uma grande mobilização da sociedade gaúcha. Talvez, o momento é de que essa mobilização de agora seja feita no mesmo tamanho, na mesma intensidade ou até maior, para a gente salvar o polo petroquímico”, completa.

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