O ministro da Fazenda, Guido Mantega, fez uma defesa vigorosa do modelo de crescimento adotado pelo governo Dilma e disse que o mercado doméstico e o crédito poderão crescer ainda por vários anos no Brasil. "Acho que é um erro dizer que o modelo está exaurido. O Brasil é um dos poucos países em que o mercado de consumo consegue crescer", enfatizou o ministro a órgãos estrangeiros de imprensa, nesta sexta-feira.
Mantega também relatou que ainda há milhões de brasileiros que podem subir para a classe média e bilhões de dólares em investimentos a fazer em áreas como infraestrutura e logística. Segundo ele, os consumidores ficaram mais cautelosos por causa da crise global, "mas eles reagem a estímulos tais como reduções de preços e de impostos". O ministro observou que boa parte da dívida do consumidor é de prazo muito curto e é paga rapidamente, e que os brasileiros poderão assumir mais dívidas à medida que os juros caem. "O crédito está crescendo no Brasil, o que mostra que as teorias sobre uma exaustão deleo não se sustentam", acrescentou.
Mantega relatou que isenções de impostos e outros incentivos têm sido usados para contrabalançar os efeitos da crise global e que novas medidas virão somente se a situação piorar na Europa ou em outras regiões. "Não podemos ignorar a gravidade da crise internacional. Ela se intensificou e é claro que isso acaba tendo impacto em todo o mundo, e alguns efeitos aqui no Brasil. Acredito que adotamos medidas suficientes para dar estímulo à economia brasileira", ponderou o ministro
Ele salientou que não projeta novas mudanças no regime cambial e disse que a recente depreciação do real é positiva por beneficiar empresas brasileiras tanto no exterior como dentro do País. "O nível atual é muito mais confortável do que há um ano", disse Mantega que também observou que o real continuará a flutuar e que "não há um ponto ideal".
A expectativa do ministro é de que o crescimento se acelere no segundo semestre, em reação às medidas já adotadas pelo governo e às reduções da taxa básica de juros pelo Banco Central. "Achamos que é viável termos um crescimento maior neste ano do que no ano passado. Se você olha para os meses de maio e junho, já detecta uma recuperação em vários segmentos."
Mantega defende modelo econômico do Brasil e projeta maior crescimento
Ministro admitiu cautela do mercado por conta da crise mundial