Economia

Mantega diz que sinais da crise começam a preocupar

Ministro reiterou que Brasil tem previsão de crescimento de 5% até 2015, mas deve manter fundamentos econômicos sólidos

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, reiterou nesta sexta-feira que as economistas dos países emergentes, principalmente as mais dinâmicas, ainda não foram afetadas pela crise econômica mundial. Ainda assim, ele afirmou que começa a se preocupar com alguns sinais, ainda que incipientes, de contágio dos emergentes pela crise mundial. "E isso me preocupa, já que há alguns sinais incipientes de que a China poderá ter alguma desaceleração. A economia chinesa se mostrou bastante sólida ao longo dos últimos 20 anos, só que agora começa a ter problemas sérios", disse o ministro durante aula inaugural da escola de pós-graduação da Faculdade de Campinas (Facamp). A preocupação de Mantega em relação à China reside na possibilidade de aquele país reduzir as suas importações. Ele ponderou, no entanto, que a desaceleração chinesa é um fenômeno recente.

A previsão dele para os emergentes nos próximos anos é de 6%, em média. No caso do Brasil, Mantega prevê uma taxa de crescimento média de 5% no período de 2012 a 2015, e a necessidade de manter os fundamentos econômicos sólidos. Ele citou como exemplo o fortalecimento da política fiscal, que é onde outros países estão registrando problemas. "Aqui, nós implantamos uma política fiscal sólida. Nesse sentido, nós vínhamos perseguindo um superávit primário de 3%, aumentamos a meta com mais R$ 10 bilhões e fecharemos este ano superávit de 3,3% do PIB", disse o ministro ao acrescentar que 75% da meta para este ano já foi alcançada.

 O ministro destacou também que o ajuste fiscal abre espaço para redução de taxa de juros no Brasil e lembrou que na última quarta-feira o Banco Central cortou a Selic em 0,50 ponto porcentual, para 11,50% ao ano. Ainda assim, segundo ele, a taxa de juros no Brasil é uma das maiores do mundo, o que oferece vantagens e desvantagens para as autoridades econômicas em relação a outras economias. A vantagem é que o Banco Central brasileiro tem espaço para cortar juros e a desvantagem é ainda termos juros elevados.

Segundo Mantega, a dívida brasileira em relação ao PIB tem diminuído, enquanto outros países têm aumentado. Ele lembrou que a dívida na proporção do PIB caiu de 40,2% no ano passado para cerca de 39% em 2011.

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