Ao chegar ao Ministério da Fazenda, no início da tarde, vindo do Palácio do Planalto, os repórteres pediram uma análise do ministro sobre o que, no jargão econômico, é conhecido como o “derretimento do índices”, mas Mantega não se alongou muito e disse apenas que o problema não é apenas doméstico e, sim, proveniente da economia global. “(Estão derretendo) No mundo todo”, comentou sobre os índices das bolsas de valores.
Mantega embarca logo mais, às 15h, para o Peru, onde, em Lima, participa da reunião de ministros de Economia e Finanças da União Sul-Americana (Unasul), formada por 12 países da América do Sul. O Ministério da Fazenda não divulgou a pauta do encontro, mas, entre os assuntos, certamente haverá espaço para discutir a crise econômica mundial que, segundo disse Mantega esta semana, está um pouco maior do que antes.
O ministro também se disse preocupado com a crise e defendeu a criação de um “cordão de isolamento” para que o Brasil não seja prejudicado pela situação.
Europa fecha em forte queda
As bolsas europeias fecharam com fortes quedas hoje, depois que uma onda de pânico invadiu os mercados em mais um dia de vendas puxadas pelo sentimento negativo com relação à crise de dívida da zona do euro. Declarações do presidente do Banco Central Europeu (BCE), Jean-Claude Trichet, após o anúncio da decisão da instituição de manter as taxas de juros inalteradas, colaboraram para as perdas.
Segundo operadores, o BCE interveio no mercado secundário comprando bônus de Portugal e Irlanda, o que não foi confirmado nem negado por Trichet. A autoridade se limitou a dizer que o programa nunca esteve inativo. De todo modo, Trichet admitiu que a intervenção não foi apoiada por todos os membros do BCE.
Isso levou a especulações de que o BCE pode não estar totalmente comprometido com o programa de compra de bônus, como comentou a IHS Global Insight. O movimento também sugere que a barreira para uma intervenção continua alta para economias debilitadas como as da Espanha e da Itália.
O setor bancário puxou a queda da Bolsa de Londres, em consequência da exposição das instituições financeiras às dívidas soberanas. Barclays despencou 7,7% e Lloyds Banking Group afundou 10%, afetado negativamente também pelos seus resultados do primeiro semestre deste ano. O Lloyds teve prejuízo de 2,3 bilhões de libras, em comparação com o lucro de 596 milhões de libras no mesmo período do ano passado. O índice FT-100 cedeu 3,43%, para 5.393,14 pontos.
Frankfurt terminou a sessão com queda de 3,40% no índice DAX, para 6.414,76 pontos, depois de atingir o menor nível neste ano. Todas as ações do índice fecharam em baixa, com destaque para Commerzbank, que declinou 6,1% em razão de preocupações com baixas contábeis relacionadas à ajuda para a Grécia. Infineon perdeu 7%.
O índice CAC-40 da Bolsa de Paris caiu 3,90%, para 3.320,35 pontos. A concessionária de água e resíduos Veolia despencou 19% depois de divulgar resultados abaixo do esperado no primeiro semestre. Além disso, a companhia anunciou uma reforma corporativa que inclui vendas de ativos e uma significativa reformulação geográfica.
Em Madri, o índice Ibex-35 fechou em baixa de 3,89%, aos 8.686,50 pontos, depois de perder o suporte dos 9.000 pontos e estender as perdas pela quinta sessão seguida. Os bancos foram os mais prejudicados na sessão, com Santander registrando queda de 4,4% e BBVA cedendo 4,1%.
O índice FTSE MIB da Bolsa de Milão fechou com queda de 5,2%, aos 16.128,07 pontos, segundo a FactSet, depois de a própria bolsa informar mais cedo que não poderia fornecer uma leitura precisa sobre o índice. A bolsa não confirmou a informação da FactSet. Às 12h57 (de Brasília), as telas indicavam queda de 3,23% no FTSE MIB. O índice PSI-20 de Lisboa caiu 3,26%, para 6.325,27 pontos. As informações são da Dow Jones.