Economia

Mantega pede mais rapidez da UE para criar formas de resolver crise

Ministro da Fazenda falou em Washington sobre saúde financeira do Brasil

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, cobrou nesta sexta-feira a aprovação rápida de propostas pelos líderes da União Europeia para resolver a crise de dívida na região. Ele alerta para os temores de que a situação se agrave e contagie o resto do mundo. "Estamos em uma corrida contra o tempo", relatou o ministro, em Washington, durante evento promovido pela Câmara de Comércio Brasil-Estados Unidos.

"Quanto mais passa o tempo, maior será o custo do programa de ajuda e a possibilidade de que ele não funcione", destacou, ao lembrar que a previsão é de que os 17 países do bloco europeu aprovem um plano de apoio em três semanas. "Espero que a União Europeia não aguarde a quebra dos primeiros países [antes de agir]", enfatizou Mantega.

Ele disse que é preciso repetir a receita de 2008, quando os países do G20 (grupo das maiores economias avançadas e emergentes, do qual o Brasil faz parte) se uniram e tomaram medidas "corajosas" e rápidas para combater a crise. Segundo Mantega, há o risco de que a crise de dívida soberana em países europeus, como a Grécia, resulte em uma nova crise financeira, afetando os bancos europeus e com reflexos em todo o planeta.

Nesta sexta-feira, Mantega voltou a dizer que o Brics (grupo formado por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) e o G20 estão dispostos a ajudar, mas ressaltou que até agora não houve um pedido específico por parte da Europa. "Estão todos empenhados em se unir para evitar que o pior aconteça. Mas a principal responsabilidade está nos países da União Europeia", declarou.

Diante dos riscos de agravamento do cenário internacional, Mantega ressaltou que o Brasil está mais preparado para enfrentar uma situação de crise do que em 2008 porque o país tem mais reservas internacionais. Há três anos, o Brasil tinha cerca de US$ 200 bilhões acumulados, ante US$ 350 bilhões em reservas atuais. Mantega citou ainda o reforço de R$ 10 bilhões na meta de superávit primário como exemplo da robustez da situação fiscal brasileira.


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