Economia

Mantega rejeita salário mínimo acima de R$ 545

Ministro afirma que reajuste para R$ 600 custaria mais R$ 16,5 bilhões ao país

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmou nesta terça, na Câmara dos Deputados., que o governo não tem condições do ponto de vista fiscal de reajustar o valor do salário mínimo acima dos R$ 545 propostos. Segundo ele, o governo não pode aumentar o nível das despesas.

Mantega lembrou que a folha de pagamento dos aposentados cresce R$ 300 milhões para cada R$ 1 de reajuste do mínimo. Disse que se o salário mínimo chegasse a R$ 600, o impacto seria de R$ 16,5 bilhões no Orçamento de 2011, além do custo que já terá para reajustar de R$ 510 para R$ 545. Caso o mínimo fosse para R$ 580, o custo seria de R$ 10,5 bilhões este ano.

"Temos uma limitação de ordem orçamentária", afirmou o ministro no plenário da Câmara. Ele alega que o governo também tem uma limitação do ponto de vista da confiança. Mantega disse que a sociedade espera que o governo cumpra os acordos feitos. Ele lembrou que já está sendo colocado em dúvida a capacidade do governo de realizar o corte de R$ 50 bilhões no Orçamento. "Nós vamos cumprir", garantiu. No entanto, segundo ele, se o governo concordar com o reajuste do mínimo acima de R$ 545, será colocada em dúvida a capacidade de o governo alcançar os resultados fiscais esperados.

Mantega ressaltou que o compromisso do governo é com todos os trabalhadores, não somente com aqueles os que ganham salário mínimo. O ministro argumentou que a proposta que ele veio defender é a manutenção da atual fórmula de reajuste do salário mínimo, acordada pelo governo com as centrais sindicais ainda no fim de 2006. "Mesmo com a queda na arrecadação em 2009, o governo cumpriu o acordo", disse Mantega aos parlamentares. "Acho desaconselhável que em 2011 mudemos uma regra acordada em 2006", acrescentou.


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