O ministro informou que existe certo consenso entre o Brasil e a França de que o FMI precisa ser fortalecido, mas os valores e o formato a ser escolhido ainda estão sendo discutidos. De acordo com Mantega, a definição será tomada pelos líderes do G-20, na reunião de cúpula marcada para os dias 3 e 4 de novembro, em Cannes. "O mundo espera uma solução. A crise é mundial e não só europeia", disse Mantega.
Contudo, Mantega não quis informar qual é a posição específica do Brasil sobre a operação do FMI. Segundo fontes, não faria sentido para o País colocar mais recursos no Fundo, sem ter como contrapartida o aumento de cotas. Em abril de 2009, o G-20 decidiu aumentar o capital o capital do FMI de US$ 250 bilhões para US$ 1 trilhão. Agora, o Fundo volta a aparecer como um canal apropriado para ajudar os países em necessidade.
Conforme Mantega, caso a crise se agrave, tanto a Europa como os emergentes poderiam usar os recursos do FMI, se necessário. Ele acredita, no entanto, que o próprio fortalecimento do FMI contribuirá para limitar a atual turbulência financeira.
EUA vão ajudar Europa por meio do FMI
Em entrevista à CNBC, o secretário do Tesouro dos Estados Unidos, Timothy Geithner, disse hoje que o país ajudará os europeus a lidarem com a crise da dívida por meio do FMI, ao invés de usar diretamente seus recursos. Segundo ele, o órgão internacional já tem valores muito substanciais que poderiam ser disponibilizados como um apoio financeiro para a União Europeia.
O secretário do Tesouro disse que os governos europeus precisam assumir um compromisso claro de que disponibilizarão tantos recursos quanto forem necessários. Segundo Geithner, o uso de dinheiro dos contribuintes norte-americanos por meio do FMI para ajudar a Europa era apropriado. No entanto, ele não sugeriu que o país dê mais rescurso ao órgão ou destinem fundos para o problema diretamente.
Questionado sobre os manifestantes em Wall Street, Geithner afirmou que eles querem ver um crescimento econômico maior. O secretário disse ainda que o Congresso dos EUA deveria aprovar o plano do presidente do país, Barack Obama, para empregos, ou, então, a "economia ficará mais fraca".
Segundo ele, a desvalorização do yuan e os subsídios da China para empresas domésticas estão afetando o crescimento mundial. Geithner declarou que apoiava o plano do Senado norte-americano sobre a moeda chinesa. Ele disse, porém, que, se o plano for aprovado, teria de ser alterado para reconhecer os compromissos internacionais que os EUA já fizeram.