Em um recado claro ao Brasil, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, afirmou, nesta terça-feira, que qualquer aumento da taxa Selic será promovido para manter a inflação dentro da meta estabelecida para o ano. A declaração foi feita durante palestra especial no XXIII Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. Um dos mais ilustres participantes do evento, Meirelles foi enfático ao defender o uso da indexação de juros para controlar o equilíbrio entre oferta e demanda.
“Esse é o instrumento mais eficaz. Não se pode fazer política monetária quando se proíbe o Banco Central de usar o seu instrumento base”, disse. Indagado sobre os reflexos de aumentar a taxa Selic durante um ano eleitoral, o presidente do Bacen mostrou-se tranquilo quanto aos efeitos da medida. “Hoje a nação brasileira já tem consciência de que o problema é a inflação e não a taxa de juros”, afirmou Meirelles, que comanda a instituição desde 2003, em uma das melhores fases da economia brasileira.
O aumento da taxa Selic, hoje de 8,75%, será definido daqui a duas semanas durante reunião do Conselho de Política Monetária (Copom). Se for confirmada, essa será a primeira alta de juros depois de 17 meses. A taxa tem efeitos diretos na economia brasileira, tornando o crédito mais caro e o ritmo do crescimento mais moderado.
Sem projetar nenhum índice de alta, Meirelles garantiu apenas que a taxa básica de juros não será aumentada de forma excessiva, sem necessidade. “Por outro lado, a inflação precisa estar na meta”, contrapôs.
Meirelles defende alta da taxa de juros para manter meta de inflação
Presidente do Banco Central participou do Fórum da Liberdade em Porto Alegre